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segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Os primeiros seis meses da Guerra



Gunther Rudzit


Neste mês, o governo britânico divulgou uma análise da guerra na Ucrânia e afirmou que foi o primeiro dia, desde o início do confronto, em que as forças russas não conseguiram avançar e tomar território das forças ucranianas. Assim, ao chegar aos seis meses de conflito, ao que tudo indica, a situação vai entrar em uma fase de estagnação. 

O exército russo parece ter chegado ao limite da capacidade de tomar mais territórios, ao que tudo indica, os ucranianos estão conseguindo interromper o fluxo logístico do inimigo. Com os novos equipamentos ocidentais, em especial o sistema de artilharia de longa distância e de alta precisão americana HIMARS (High Mobility Artillery Rocket System), a Ucrânia tem causado grande estrago em depósitos e estradas de ferro utilizados pelos russos. 

Os ucranianos foram capazes de ameaçar as forças russas na cidade de Kherson, o que levou o comando russo a desviar tropas da região do Donbas, também na Ucrânia. Como foi a única cidade na margem direita do rio Dniepre a ser ocupada, o local é um ponto estratégico para qualquer plano de avanço para o oeste do país, e o alto comando russo não poderia perder a cidade e seus soldados. As pontes foram danificadas o suficiente para ameaçar o abastecimento de alimentos e combustíveis das tropas russas. Por isto a retirada do exército russo e o enfraquecimento do avanço no Donbas. 

Há ainda um aspecto psicológico importante a ressaltar. Os ataques a bases e depósitos russos na Crimeia. As recentes explosões nesta região fizeram com que muitos civis russos fugissem do local durante as férias de verão. Foram publicados vídeos em redes sociais, causando embaraço ao Kremlin, ao ter que afirmar que todos foram por motivos de incêndio e não de ataques ucranianos. De qualquer forma, isto indica que forças especiais ucranianas estão conseguindo operar atrás das linhas inimigas, e devem continuar a fazê-lo, causando mais estragos. 

Mesmo assim, não é de se esperar que as forças ucranianas consigam recuperar o território perdido. Primeiro, porque a capacidade militar para uma ofensiva é muito mais complicada do que ações defensivas, e, tanto pela perda de soldados quanto do treinamento dos novos recrutas, é muito difícil os ucranianos conseguirem tal avanço. Além do mais, um cálculo básico é que, para uma ofensiva, normalmente se considera adequado ter uma superioridade de três para um em números de soldados, o que dificilmente os ucranianos conseguirão reunir. 

O que se deve esperar para os próximos seis meses, no mínimo, é uma guerra de atrito como foi a frente ocidental da primeira guerra mundial. E quem mais vai sofrer com isto são os civis ucranianos, já que o inverno se aproxima e a infraestrutura elétrica e de gás foi danificada. Isto pode levar milhares ou milhões, a passar um frio congelante, literalmente. Por isto, que Kyiv deve começar uma campanha de remoção dessa população em breve. No âmbito geral, as perspectivas não são nada boas para os próximos meses, ou até mesmo para o próximo ano, para os ucranianos. 

Gunther Rudzit é professor de Relações Internacionais da ESPM e coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios em Oriente Médio (NENOM/ESPM). É doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, mestre em National Security por Georgetown University (USA), mestre em Geografia Humana - Geopolítica pela Universidade de São Paulo.

 

Sobre a ESPM

A ESPM é uma escola de negócios inovadora, referência brasileira no ensino superior nas áreas de Comunicação, Marketing, Consumo, Administração e Economia Criativa. Seus 12 600 alunos dos cursos de graduação e de pós-graduação e mais de 1 100 funcionários estão distribuídos em cinco campi - dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro, um em Porto Alegre e um em Florianópolis. O lifelong learning, aprendizagem ao longo da vida profissional, o ensino de excelência e o foco no mercado são as bases da ESPM.

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