Em nossos dois últimos relatórios, discutimos amplamente os determinantes do ciclo de queda da taxa Selic. O processo foi inaugurado pelo COPOM em sua reunião deste início de agosto com um corte de 0,50pp, que levou a taxa básica de juros para 13,25%.
Outro destaque do passado recente é a melhora do quadro inflacionário, seja em relação à inflação realizada, seja quanto às expectativas. O IPCA-15 de julho registrou deflação ligeiramente maior do que o esperado, sendo que seus indicadores com maior poder de informação sobre a persistência da inflação (por exemplo o índice de difusão, a média dos núcleos ou os serviços subjacentes) também apontaram na direção desejável.
Um elemento doméstico adicional a favorecer o começo do ciclo monetário é o momento político e sua repercussão sobre questões relevantes do quadro fiscal de curto e médio prazo. Apesar da grande volatilidade e incerteza observada no começo do ano, os últimos meses trouxeram sinais de um maior alinhamento entre a equipe econômica do governo e o Congresso Nacional, em particular as lideranças da Câmara dos Deputados.
Para melhor discutir este ponto, destaca-se que o câmbio impacta a inflação através dos componentes comercializáveis do IPCA, que são cerca de 32% dos subitens da cesta de consumo. Na medida em que os riscos associados à política fiscal sigam em queda como consequência, por exemplo, do melhor relacionamento entre a equipe econômica do governo e a liderança do legislativo mencionado acima, deveria se esperar uma menor pressão sobre o câmbio. Ou seja, um vetor baixista para parcela relevante do IPCA e, portanto, maior alívio para a política monetária.
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