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Pesquisa examina a educação a partir dos conceitos de trabalho e humanização. Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN |
por Juliana Estevam e Paiva Rebouças - Agecom/UFRN
A escola pode preparar melhor os alunos para a vida, mas também pode reforçar desigualdades. É o que mostra o artigo Educação, escola e humanização em Marx, Engels e Lukács, de Liliam Faria Porto Borges, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), publicado na Revista Educação em Questão, do Centro de Educação (CE/UFRN) e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEd/UFRN). O trabalho, terceiro mais lido no Portal de Periódicos da UFRN em 2024, com mais de 61 mil visualizações, analisa como o método de ensino influencia o futuro dos estudantes e questiona se a educação oferecida garante as mesmas oportunidades para todos.
A pesquisa examina a educação a partir dos conceitos de trabalho e humanização, defendendo que a escola desempenha um papel essencial na formação do pensamento crítico. Liliam Borges argumenta que a transmissão dos saberes acumulados historicamente é um direito fundamental e uma condição para que os indivíduos desenvolvam consciência sobre suas realidades. A autora alerta, no entanto, que as pedagogias baseadas no "aprender a aprender" comprometem esse processo ao relativizar a importância do ensino estruturado e dificultar o acesso ao conhecimento científico, filosófico e artístico.
O estudo mostra que a educação no Brasil segue um modelo de escola dual, em que o acesso ao conhecimento varia conforme a origem social dos estudantes. Enquanto alunos de escolas particulares, geralmente pertencentes a famílias de maior renda, recebem uma formação ampla, que inclui conteúdos científicos, filosóficos e artísticos, os estudantes da rede pública frequentemente enfrentam um ensino mais voltado para habilidades práticas e o mercado de trabalho. Essa diferenciação, segundo a pesquisa, amplia as desigualdades, pois limita as oportunidades de desenvolvimento intelectual e crítico de grande parte da população. Em vez de reduzir as disparidades sociais, o sistema educacional tende a reproduzi-las, oferecendo caminhos distintos de formação para diferentes grupos sociais.
Borges baseia sua análise nos conceitos de trabalho e humanização desenvolvidos por Karl Marx, Friedrich Engels e György Lukács, articulando-os com as contribuições de Dermeval Saviani e Newton Duarte no campo da pedagogia crítica. A pesquisa questiona abordagens educacionais que priorizam apenas as experiências individuais dos alunos, argumentando que o ensino deve garantir o acesso aos saberes científicos, filosóficos e artísticos acumulados historicamente. Para a autora, a transmissão estruturada do conhecimento é essencial para ampliar o repertório dos estudantes e fortalecer sua capacidade de compreensão da realidade, permitindo que tenham uma formação mais sólida e autônoma.
O estudo propõe uma reflexão sobre as políticas educacionais brasileiras, apontando os impactos das concepções pedagógicas contemporâneas que enfraquecem a centralidade do ensino. A pesquisa destaca que a educação não pode ser reduzida a um processo de adaptação ao mercado de trabalho, mas deve possibilitar o desenvolvimento intelectual e crítico dos estudantes. O alto número de acessos ao artigo sinaliza um interesse crescente pelo debate sobre educação, desigualdade social e a função da escola na construção do conhecimento.
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