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quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Censo 2022 revela mudanças nas famílias brasileiras: mais mulheres chefes de família e aumento de pessoas morando sozinhas

Em 2022, o Brasil tinha 72,3 milhões de unidades domésticas, das quais 13,6 milhões eram unipessoais e 57,8 milhões tinham duas ou mais pessoas com parentesco, isto é, formando famílias.

Em 2022, pela primeira vez, menos da metade (42,0%) das famílias do país são formadas por casais com filhos - Foto: Agência Brasília


O retrato das famílias brasileiras passou por transformações profundas nas últimas duas décadas. Dados divulgados nesta quarta-feira (5) pelo IBGE, no estudo Censo Demográfico 2022: Nupcialidade e Família – Resultados preliminares da amostra, mostram que o país tem hoje 13,6 milhões de pessoas vivendo sozinhas, o equivalente a 18,8% das 72,3 milhões de unidades domésticas recenseadas.


Enquanto isso, 58 milhões de unidades domésticas (79,8%) são formadas por duas ou mais pessoas com algum tipo de parentesco, totalizando 61,2 milhões de famílias. Destas, 94,5% abrigam apenas uma família, e 5,5% são compostas por famílias conviventes — quando há um núcleo familiar principal e outros secundários na mesma residência.


Casais com filhos são minoria pela primeira vez


Pela primeira vez, as famílias formadas por casais com filhos representam menos da metade do total de famílias do país. Em 2000, esse tipo de arranjo correspondia a 56,4% do total; em 2022, caiu para 42%, o equivalente a 24,3 milhões de famílias.


Em sentido oposto, os casais sem filhos foram a configuração que mais cresceu, passando de 13% para 24,1% (13,9 milhões) no mesmo período.


A Região Norte apresenta o maior percentual de famílias compostas por casais com filhos, reflexo das taxas de fecundidade mais elevadas. Já a monoparentalidade feminina — mulheres criando filhos sem a presença de cônjuge — é mais comum no Nordeste. No Sul, predominam os casais sem filhos.



Mulheres sem cônjuge e com filhos chegam a 7,8 milhões


O Censo 2022 apontou que 7,8 milhões de mulheres vivem com os filhos sem cônjuge e sem outros parentes. Essa configuração, que representava 11,6% das famílias em 2000, subiu para 13,5% em 2022.


Já os homens sem cônjuge e com filhos passaram de 1,5% para 2,0% no mesmo período, somando 1,2 milhão de famílias.


Outras formas de monoparentalidade, com presença de filhos e outros parentes, também foram registradas: 3,8% das famílias eram chefiadas por mulheres sem cônjuge, e 0,6% por homens sem cônjuge, percentuais próximos aos observados em 2000.


Uma em cada cinco pessoas mora sozinha


Entre 2000 e 2022, o número de brasileiros morando sozinhos triplicou, passando de 4,1 milhões para 13,6 milhões. Hoje, uma em cada cinco unidades domésticas é unipessoal.


Em 2022, 6,837 milhões dessas moradias eram ocupadas por homens e 6,784 milhões por mulheres. A maioria dos moradores (76,2%) tinha 40 anos ou mais, e 41,8% eram idosos com 60 anos ou mais, indicando o envelhecimento e o aumento da solidão urbana.


Quase metade das famílias é chefiada por mulheres


Um dos indicadores mais expressivos da pesquisa mostra o avanço da chefia feminina nas famílias brasileiras. Em 2000, apenas 22,2% dos responsáveis pelas famílias eram mulheres. Em 2022, essa proporção saltou para 48,8% — praticamente a metade.


Nesse mesmo intervalo, o percentual de famílias chefiadas por homens caiu de 77,8% para 51,2%.


Segundo o IBGE, o aumento da presença feminina como responsável familiar reflete mudanças culturais e estruturais: maior inserção no mercado de trabalho, ampliação da escolaridade e redução das taxas de fecundidade.


Escolaridade também avança


O estudo destaca ainda um expressivo aumento do nível de instrução dos responsáveis familiares. Em 2000, 66,1% tinham até o fundamental incompleto ou nenhuma instrução; em 2022, esse percentual caiu para 34,7%.


Por outro lado, os que possuíam ensino superior completo mais que dobraram, subindo de 6,3% para 17,4%.


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