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domingo, 25 de janeiro de 2026

Crônicas do subdesenvolvimento: Caraúbas e o assassínio de São Sebastião pela falta de ética



Passam-se os anos e o flagelo do subdesenvolvimento continua a causar o caos social no Rio Grande do Norte, o conluio de eleitores sem instrução adequada e políticos imorais reproduz o ciclo do desperdício de dinheiro público.


Imagine que na cidade de Caraúbas, interior do Rio Grande do Norte, em situação de calamidade pública pela seca a prefeitura resolveu gastar mais de 2 milhões de reais com shows durante a Festa do Padroeiro Católico da cidade. E o detalhe, não havia sequer uma atração digna de ser ouvida se a cidade possuísse escolas.


Os prefeitos do interior do Brasil firmaram um pacto maquiavélico com os seus eleitores segundo o qual os shows são o motor do progresso econômico dessas cidades. Como dissemos anteriormente, a cidade de Santa Luzia na Paraíba pagou 1 milhão de reais por uma única atração durante as festividades do São João 2025 e agora se encontra sem abastecimento de água.


Santa Luzia e Caraúbas são cidades com menos de 20 mil habitantes e os demagogos criam a narrativa  de potência municipal ao contratar "Xand Avião" por 600 mil ou "Safadão" por 1 milhão. Essas pessoas somente são consideradas cantores por não existir ensino digno no Brasil. São falsos artistas sem ética, se a possuíssem não aceitariam saquear dinheiro público dos miseráveis desta maneira.


Em Caraúbas a Prefeitura firmou contratos que ultrapassam R$ 2,4 milhões para a realização da Festa de São Sebastião 2026. Desse total, cerca de R$ 2,24 milhões foram destinados exclusivamente a cachês de atrações musicais. Entre os contratos identificados estão cachês de R$ 600 mil, R$ 450 mil, R$ 300 mil e R$ 280 mil para apresentações de poucas horas. 


Esse modelo é perverso porque normaliza a escassez permanente. A cidade segue sem diversificação econômica, sem salto educacional, sem base produtiva sólida — mas com palcos cada vez maiores e cachês cada vez mais altos.


Na praça mataram Bastião

Sem espada, nem batalhão

O santo forte e destemido

Que às flechas tinha resistido

Caiu sem guerra, sem canhão


Não foi soldado nem tirano

Nem guerra vinda de outro plano

Que derrubou o protetor

Foi o punhal do mau gestor

Que fere o povo todo ano

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