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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Mais da metade dos brasileiros é favorável à prisão de ex-dirigentes da Vale por tragédia-crime de Brumadinho, revela pesquisa PoderData

Levantamento nacional aponta percepção de impunidade e insegurança na mineração sete anos após o rompimento da barragem em Minas Gerais

Isis Medeiros/Avabrum Os dados inéditos constam na pesquisa de opinião realizada pelo instituto PoderData entre 27 a 30 de dezembro de 2025


Oito em cada 10 brasileiros avaliam que a Justiça é lenta ou omissa na punição dos responsáveis pelas mortes causadas pela tragédia-crime de Brumadinho e 52% da população é favorável à prisão preventiva de ex-dirigentes da Vale e responsáveis técnicos até o julgamento. Os dados inéditos constam na pesquisa de opinião realizada pelo instituto PoderData entre 27 a 30 de dezembro de 2025.

A percepção de impunidade se soma ao temor de que crimes semelhantes voltem a ocorrer. Segundo o levantamento, 68% dos entrevistados acreditam que uma tragédia como a de Brumadinho pode se repetir no Brasil, o que indica que a maioria da população não confia na capacidade do país de evitar novos rompimentos de barragens.

A avaliação negativa também recai sobre a atuação da mineradora responsável pelo empreendimento. Para 58% dos brasileiros, a Vale faz menos do que o suficiente ou não faz nada para reparar famílias e cidades atingidas. O dado destaca a percepção de distanciamento entre as medidas adotadas pela empresa e a expectativa social por responsabilização e reparação efetivas.

O cenário reflete diretamente na confiança sobre a atividade mineral. Quase metade da população (45%) afirma que a mineração no Brasil está hoje menos segura do que antes da tragédia-crime, o que evidencia que os efeitos do rompimento seguem presentes no imaginário coletivo e no debate público.

Em Minas Gerais, estado diretamente atingido pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, a consciência sobre o caso é mais elevada e acompanha níveis mais altos de desconfiança (83%) quanto à segurança da atividade mineral. No estado, a percepção de risco e a expectativa de que um novo rompimento possa ocorrer superam os índices registrados no restante do país (54%).

A pesquisa aponta ainda forte apoio da população a medidas administrativas e profissionais mais severas. A maioria dos entrevistados (74%) defende a cassação definitiva dos registros de engenheiros e geólogos envolvidos no rompimento, impedindo que esses profissionais voltem a atuar no setor, como forma de responsabilização e prevenção de novos crimes.

Outro dado relevante diz respeito à destinação de recursos decorrentes de penalidades ambientais. Sete em cada dez brasileiros afirmam que multas aplicadas a empresas responsáveis por crimes como o de Brumadinho deveriam ser direcionadas prioritariamente às associações de familiares das vítimas, e não absorvidas pelos cofres públicos de forma genérica.

O levantamento também identificou descrédito em relação às estratégias de comunicação corporativa da mineradora. Para a maioria dos entrevistados (60%), campanhas institucionais e ambientais promovidas pela Vale após Brumadinho e Mariana são vistas como tentativas de reconstrução de imagem, sem correspondência concreta com mudanças estruturais ou reparações suficientes. Essa percepção, revela a pesquisa, aumenta de acordo com o crescimento do nível de escolaridade dos entrevistados. 

Para a presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM), Nayara Porto, os dados confirmam uma percepção compartilhada pelas famílias desde 2019. “A pesquisa mostra que a sociedade brasileira compreende a gravidade do crime de Brumadinho e reconhece que ainda não houve justiça. Enquanto os responsáveis seguem em liberdade e sem condenações, permanece o risco de que outras comunidades passem pela mesma tragédia”, afirma.

Metodologia

A pesquisa foi realizada pelo PoderData entre os dias 27 e 30 de dezembro de 2025, com 3.200 entrevistas em 111 municípios das 27 unidades da Federação. O levantamento ouviu brasileiros com 16 anos ou mais, por meio de pesquisa telefônica automatizada (IVR). A margem de erro é de ±1,9 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. A amostra foi ponderada por sexo, idade, escolaridade, renda e região.

De acordo com o diretor executivo do PoderData, Mateus Netzel, “a pesquisa mostra dados importantes sobre a memória e também sobre como a população avalia o processo de julgamento dos responsáveis e a reparação das vítimas e familiares”. Ele destaca que, mesmo tendo ocorrido há 7 anos, “a tragédia ainda é lembrada por 79% dos brasileiros, número que cresceu 10 pontos percentuais desde 2024. Isso mostra a importância das ações de preservação da memória das vítimas de Brumadinho”, conclui. 

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