Os ares da América do Sul se tornaram mais leves deste que o infame ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, foi retirado do poder por ação do governo americano, liderado pelo tirano nazista Donald Trump. A situação remete à célebre frase de Ulysses Guimarães, no discurso de promulgação da Constituição de 1988, ao afirmar que a ditadura é uma “coisa nojenta”. Também evoca a metáfora bíblica de Judas: por vezes, um ato moralmente condenável acaba produzindo efeitos positivos. Assim, uma ação que viole princípios do Direito Internacional, ainda que parta de uma liderança de viés autoritário, pode gerar consequências vistas como benéficas sob determinado ângulo geopolítico.
Apesar de sua postura agressiva e de frequentes ataques às instituições, é pouco provável que Trump consiga sufocar a democracia norte-americana. Falta-lhe a paciência estratégica de Viktor Orbán ou a construção ideológica sistemática de um Hugo Chávez. Além disso, os Estados Unidos possuem instituições consolidadas e uma sociedade civil altamente mobilizada. Conflitos recentes envolvendo políticas migratórias e ações do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), a SA do Trump, geraram forte comoção pública e protestos, forçando recuos e demonstrando que há limites institucionais e sociais ao avanço de práticas autoritárias.
O povo americano, de modo geral, deposita menos expectativas messiânicas no governo do que muitos outros povos latino americanos; há mais desconfiança do que fé no poder estatal. Esse ceticismo histórico funciona como freio a aventuras autoritárias. Soma-se a isso o intricado sistema federativo do país, no qual a força dos estados e a autonomia local dificultam concentrações excessivas de poder no governo federal, o que complica os planos de qualquer líder com pretensões hegemônicas.
Nesse contexto, se movimentos externos contribuírem para o enfraquecimento de regimes autoritários como os de Cuba ou do Irã, e se, ao mesmo tempo, o próprio Trump vier a sofrer desgaste político interno sem arrastar o mundo para uma guerra de grandes proporções, estaríamos diante de um paradoxo histórico: a atuação de um líder de inclinação autoritária acabaria, involuntariamente, fortalecendo a resistência democrática global. Sua figura passaria já serve como propaganda negativa aos seus pares extremistas mundo afora, diante de seu fracasso interno.
A onda fascista que marca o mundo no pós crise financeira de 2009 parece dar sinais de refluxo. O grande desafio não é apenas superar esta fase, mas impedir que a próxima surja com nova roupagem e os mesmos velhos perigos.



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