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| Foto: José Aldenir/Agora RN |
A grande seca iniciada em 2012 e que se prolongou até 2018 marcou um dos acontecimentos mais relevantes da história do Nordeste. Pela primeira vez, justamente no maior período de estiagem já registrado na região desde o século XVI, não houve registro de mortes humanas associadas à seca. Até então, a mais severa estiagem havia ocorrido entre 1979 e 1983, quando estimativas apontam para cerca de 700 mil vítimas, além de intensos fluxos migratórios.
Esse fato histórico, no entanto, acabou ofuscado por outro drama: a grande mortandade de rebanhos, especialmente no Rio Grande do Norte. A perda de gado chamou mais atenção do que a maior notícia da história do Nordeste. Notícia ruim vende mais e até hoje não vimos nenhum livro ou artigo científico sobre esse acontecimento histórico.
Passada mais de uma década, novos dados ajudam a compreender o aprendizado que se consolidou no campo potiguar. Mesmo diante de um cenário climático adverso — 2025 com chuvas abaixo da média e janeiro de 2026 encerrado sob forte estiagem — o Rio Grande do Norte alcançou a marca de 1 milhão de litros de leite produzidos por dia, sobretudo no Seridó e no Oeste do Estado, regiões de clima semiárido, por pequenos produtores.
O número é expressivo e simbólico. Ele revela que, após a seca de 2012, os produtores rurais potiguares aprenderam a conviver com o semiárido, incorporando técnicas de manejo, reserva estratégica de água e alimentação animal, melhoramento genético e uso racional da caatinga. São tecnologias e práticas difundidas desde a década de 1970 por experiências pioneiras, como as de Manoel “Manelito” Vilar, da Fazenda Carnaúba, em Taperoá, na Paraíba, referência histórica na adaptação produtiva ao clima do sertão.
O lema da fazenda Carnaúba é que a seca é moradora e a chuva é visitante, não se pode viver a esperar chuva numa região semiárida. Era a mentalidade supersticiosa que impedia os avanços, o desenvolvimento realmente é "cultural". É como o fato de que o Brasil só será desenvolvido quando superar a mentalidade de carnaval e passar a estudar matemática.



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