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| Foto: Reprodução/Redes Sociais |
Até esta quarta-feira (11), apesar do quadro de alagamentos e dos danos causados pelas chuvas, a Prefeitura de Natal não anunciou o cancelamento do Carnaval. A manutenção dos shows e da estrutura festiva contrasta com a situação emergencial enfrentada por moradores de áreas historicamente vulneráveis, onde problemas estruturais de drenagem urbana e planejamento se repetem ano após ano.
Os prefeitos do Brasil têm uma qualidade admirável: a fé inabalável no poder redentor das festividades custeadas pelo erário. Nada os demove. Se um meteoro, por descuido celeste, resolvesse extinguir a vida na Terra, estou convencido de que, entre os escombros fumegantes, restaria ao menos um prefeito diligente, empenhando a última dotação orçamentária para contratar um espetáculo comemorativo do fim do mundo — com palco, luz e som devidamente licitados.
Surgiu, nesse contexto, o fenômeno “Wesley Safadão”, verdadeiro terror dos orçamentos municipais e das emendas parlamentares. "Artista" de grande apreço administrativo, cuja cotação parece variar conforme a generosidade do erário, converte com notável eficiência entusiasmo popular em cifras milionárias. Esteve em Natal por valor superior a um milhão de reais — quantia respeitável, sobretudo quando considerada à luz das residências que, na mesma cidade, exercitam silenciosamente a natação involuntária em suas próprias salas.
Para piorar artistas locais ainda não sabem quando serão pagos pela gestão pela Prefeitura de Natal, que acumula débitos que vão de 2023 a 2025.



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