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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Apesar de alagamentos, a Prefeitura de Natal mantém gastos com o Carnaval


Foto: Reprodução/Redes Sociais


As cenas registradas nos últimos dias em bairros periféricos de Natal são contundentes: ruas submersas, casas invadidas pela água, famílias desalojadas e prejuízos materiais acumulados. As imagens repercutiram nacionalmente e reacenderam um debate recorrente nas grandes cidades brasileiras: quais são, afinal, as prioridades do poder público em momentos de crise?


Até esta quarta-feira (11), apesar do quadro de alagamentos e dos danos causados pelas chuvas, a Prefeitura de Natal não anunciou o cancelamento do Carnaval. A manutenção dos shows e da estrutura festiva contrasta com a situação emergencial enfrentada por moradores de áreas historicamente vulneráveis, onde problemas estruturais de drenagem urbana e planejamento se repetem ano após ano.


Os prefeitos do Brasil têm uma qualidade admirável: a fé inabalável no poder redentor das festividades custeadas pelo erário. Nada os demove. Se um meteoro, por descuido celeste, resolvesse extinguir a vida na Terra, estou convencido de que, entre os escombros fumegantes, restaria ao menos um prefeito diligente, empenhando a última dotação orçamentária para contratar um espetáculo comemorativo do fim do mundo — com palco, luz e som devidamente licitados.


Surgiu, nesse contexto, o fenômeno “Wesley Safadão”, verdadeiro terror dos orçamentos municipais e das emendas parlamentares. "Artista" de grande apreço administrativo, cuja cotação parece variar conforme a generosidade do erário, converte com notável eficiência entusiasmo popular em cifras milionárias. Esteve em Natal por valor superior a um milhão de reais — quantia respeitável, sobretudo quando considerada à luz das residências que, na mesma cidade, exercitam silenciosamente a natação involuntária em suas próprias salas.


Para piorar artistas locais ainda não sabem quando serão pagos pela gestão pela Prefeitura de Natal, que acumula débitos que vão de 2023 a 2025.


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