Peritos da ONU defenderam hoje que os arquivos do pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein mostram atrocidades de tal magnitude, caráter sistemático e alcance transnacional que poderiam ser considerados legalmente como “crimes contra a humanidade”.
| Arquivos de Epstein revelam possíveis crimes contra a humanidade |
Peritos das Nações Unidas afirmaram nesta segunda-feira que os arquivos do financista norte-americano Jeffrey Epstein revelam atrocidades de tal magnitude, caráter sistemático e alcance transnacional que podem ser enquadradas juridicamente como “crimes contra a humanidade”.
Em comunicado divulgado em Genebra, na Suíça, nove especialistas independentes da ONU sustentam que os documentos tornados públicos em 30 de janeiro pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos “sugerem a existência de uma empresa criminosa global” e expõem um preocupante nível de impunidade.
Segundo os peritos, os arquivos fazem referência a possíveis casos de escravidão sexual, violência reprodutiva, desaparecimento forçado, tortura, tratamentos desumanos e degradantes e feminicídio. Eles defendem que os fatos sejam analisados por tribunais nacionais e internacionais competentes.
Epstein foi condenado em 2008 por crimes sexuais envolvendo uma menor. Em 2019, morreu numa cela enquanto aguardava julgamento por acusações federais de abuso sexual de dezenas de mulheres, incluindo menores.
Os especialistas também pediram uma investigação independente e imparcial para apurar como os crimes puderam ocorrer por período tão prolongado, em um contexto que classificaram como marcado por supremacismo, racismo, corrupção, misoginia extrema e mercantilização de mulheres e meninas.
No documento, os peritos afirmam que “ninguém é demasiado rico ou poderoso para estar acima da lei” e criticam falhas graves na divulgação dos arquivos, que teriam exposto informações sensíveis das vítimas, colocando-as em risco de represálias e estigmatização.
Entre os signatários estão a relatora especial sobre violência contra mulheres e meninas, Reem Alsalem, a relatora sobre o direito à privacidade, Ana Brian Nougrères, e a relatora sobre liberdade de reunião e associação, Gina Romero.
A divulgação parcial dos documentos também revelou a rede de relações de Epstein com figuras da política, finanças, empresas e meio acadêmico. O presidente dos EUA, Donald Trump, é citado nos arquivos, assim como ex-ministros e diplomatas de diversos países, sem que haja, até o momento, consequências formais para os cargos exercidos.


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