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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Brasil atingiu maior percentual de estudantes em tempo integral

Dados do Censo Escolar 2025 destacam que matrículas em tempo integral cresceram em todas as etapas da educação básica, com 25,8%, atingindo a Meta 6 do PNE. Distorção idade-série na rede pública também reduziu



O Censo Escolar 2025 aponta avanços significativos na educação brasileira, com destaque para a expansão das matrículas em tempo integral e a redução da distorção idade-série na rede pública. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26), em Manaus (AM), pelo ministro da Educação, Camilo Santana, ao lado do presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palacios.


Segundo o levantamento, o percentual de matrículas presenciais em tempo integral na rede pública passou de 15,1%, em 2021, para 25,8%, em 2025 — crescimento de 10,7 pontos percentuais. O resultado permitiu ao país atingir a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE 2014-2024), que estabelece a oferta de educação em tempo integral para pelo menos 25% dos estudantes da educação básica pública.


No ensino médio, o avanço foi ainda mais expressivo: o índice subiu de 16,7%, em 2022, para 26,8%, em 2025.


“Pela primeira vez na história, chegamos a esse número tão expressivo e importante para a nossa educação”, afirmou Camilo Santana. Segundo o ministro, o resultado é reflexo do programa Escola em Tempo Integral, criado em 2023, que recebeu investimento de R$ 4 bilhões para ampliar a oferta de jornadas iguais ou superiores a sete horas diárias.


Universalização próxima e queda na distorção idade-série


O Censo contabiliza 46 milhões de matrículas em 178,8 mil escolas de educação básica no país. De acordo com o Inep, o Brasil está próximo de universalizar o acesso à educação básica obrigatória.


Apesar da redução de 1 milhão de matrículas em relação ao ano anterior, o dado é explicado pela queda demográfica na faixa etária escolar e pela diminuição da retenção de alunos fora da idade adequada. A taxa de frequência escolar de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos chegou a 97,2% em 2025.


A distorção idade-série na rede pública também apresentou queda significativa. No ensino fundamental, o índice caiu de 15,6% para 11,3% entre 2021 e 2025 (redução de 4,3 pontos percentuais). Já no ensino médio, a queda foi ainda mais acentuada: de 27,9% para 17,6% no mesmo período. No 3º ano do ensino médio, a distorção passou de 27,2%, em 2021, para 14%, em 2025.


Os dados revelam, contudo, que o atraso escolar ainda é maior entre estudantes que se declaram pretos ou pardos, em comparação aos que se declaram brancos, evidenciando desafios persistentes na promoção da equidade.


Educação infantil avança, mas meta ainda não foi atingida


Na educação infantil, 41,8% das crianças de 0 a 3 anos frequentam creches — o maior percentual já registrado, aproximando-se da meta de 50% prevista no PNE. O avanço é impulsionado por investimentos do Novo PAC, que prevê R$ 7,3 bilhões para a construção de 1.670 novas creches. Apenas em 2025, foram abertas 48,5 mil novas vagas com apoio federal.


No ensino fundamental, maior etapa da educação básica, são 25,8 milhões de matrículas. A taxa de atendimento da população de 6 a 14 anos atingiu 99,5%, segundo dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), praticamente universalizando o acesso.


Pé-de-Meia e permanência no ensino médio


Desde 2023, estudantes do ensino médio público inscritos no Cadastro Único são beneficiados pelo programa Pé-de-Meia, que funciona como incentivo financeiro-educacional para estimular a permanência e a conclusão escolar. A iniciativa já alcançou 5,6 milhões de estudantes, com investimento de R$ 16,2 bilhões.


Segundo o Ministério da Educação, o objetivo é reduzir a evasão, democratizar o acesso e ampliar as oportunidades de mobilidade social.


Conectividade e infraestrutura


Outro avanço apontado pelo Censo está na infraestrutura tecnológica. O percentual de escolas com acesso à internet subiu de 82,8%, em 2021, para 94,5%, em 2025.


Em 2023, o MEC lançou a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, com investimento de R$ 3 bilhões até 2025. O percentual de escolas com conectividade adequada para fins pedagógicos passou de 45% para 70% no período.


Educação profissional em alta histórica


A educação profissional e tecnológica alcançou 3,1 milhões de matrículas em cursos técnicos em 2025 — o maior número da série histórica. A participação de estudantes do ensino médio público matriculados em cursos técnicos subiu de 11,5%, em 2021, para 20,1%, em 2025.


O governo federal aposta ainda no programa Juros por Educação, criado em 2025 no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), para ampliar a oferta de vagas técnicas gratuitas.


Crescimento na educação especial


A educação especial registrou 2,5 milhões de matrículas em 2025, crescimento de 82% em relação a 2021. O país alcançou 49,7% de estudantes de 4 a 17 anos com atendimento educacional especializado — maior índice já registrado e alinhado à Meta 4 do PNE.


Base para políticas públicas e financiamento


Realizado anualmente pelo Inep, o Censo Escolar reúne dados sobre escolas, professores, gestores, turmas e estudantes de todas as etapas da educação básica. As informações subsidiam a formulação e o monitoramento de políticas públicas, o cálculo de indicadores como o Ideb e a definição de critérios para repasse de recursos federais, como os do Fundeb.


Para o Ministério da Educação, os resultados de 2025 indicam que o país consolida avanços estruturais importantes, especialmente na ampliação do tempo integral e na redução das desigualdades educacionais — ainda que persistam desafios relacionados à equidade racial e à conclusão da educação básica por milhões de brasileiros.

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