A queda de 7,9% nos casos de HIV em gestantes em 2025, o equivalente a cerca de 7,5 mil ocorrências no ano, sinaliza mais do que uma melhora estatística: indica que ampliar o acesso ao diagnóstico, investir em novas tecnologias e facilitar a testagem estão mudando, na prática, a forma como o país protege mães e bebês (1).
“Infecções sexualmente transmissíveis muitas vezes não apresentam sintomas claros. Isso faz com que muitas mulheres só descubram o problema tardiamente, inclusive durante a gravidez. Quanto mais cedo o diagnóstico acontece, maiores são as chances de proteger a mãe e o bebê”, afirma dra. Márcia Felician, ginecologista obstetra e médica da equipe de Genitoscopia e Laser da Dasa, empresa líder em medicina diagnóstica no Brasil.
Nos últimos anos, o avanço das estratégias de prevenção e o acesso mais rápido a exames e tratamentos transformaram o cuidado durante a gestação. Hoje, identificar uma infecção cedo faz toda a diferença — não apenas para a saúde da mulher, mas também para reduzir riscos de transmissão e complicações para o recém-nascido.
O resultado mais visível desse movimento é a consolidação da eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública, com taxas mantidas abaixo de 2% (1). Mas o impacto vai além de um único vírus. Outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis e hepatites, também podem trazer consequências graves quando não são identificadas e tratadas a tempo durante a gestação.
Testar mais, testar melhor
O fortalecimento da prevenção passa, cada vez mais, pelo acesso a exames de qualidade. A ampliação da testagem — incluindo testes rápidos, autotestes e exames laboratoriais mais precisos — permite que o diagnóstico aconteça antes do surgimento de complicações e que o acompanhamento comece no momento certo.
Nesse cenário, cresce também a procura por modelos de testagem em domicílio, que levam o exame até a casa das pessoas com mais conforto, privacidade e praticidade. Um estudo publicado na Market Analysis Report, o mercado global de autotestes de HIV foi estimado em US$ 211,55 milhões em 2024 e deverá atingir US$ 643,41 milhões em 2033, crescendo a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 13,55% entre 2025 e 2033.
Esse crescimento é impulsionado pela crescente ênfase na detecção precoce do HIV, pelo aumento da prevalência da doença e por uma mudança global em direção a soluções de saúde pessoais e confidenciais (2).
A possibilidade de realizar testes de ISTs fora do ambiente tradicional de serviços de saúde ajuda a romper barreiras como falta de tempo, dificuldade de deslocamento e estigma, ampliando o alcance do rastreio.
Para o Dr. Jaime Kulak, ginecologista do laboratório Frischmann Aisengart, facilitar o acesso é decisivo para transformar prevenção em rotina. “Quando a mulher consegue testar com mais facilidade, ela cuida de si e, ao mesmo tempo, protege o bebê. A testagem deixa de ser algo pontual e passa a fazer parte do acompanhamento da saúde ao longo da gestação”, explica.
Por que o check-up completo faz diferença
Embora o dado mais recente destaque o HIV, especialistas reforçam que o cuidado não deve se limitar a uma única infecção. Um check-up completo de ISTs permite avaliar diferentes riscos de uma só vez e aumenta a chance de detectar problemas que muitas vezes evoluem de forma silenciosa.
No Brasil, o check-up de ISTs da Dasa é estruturado justamente com esse foco em diagnóstico precoce e abrangente, reunindo exames laboratoriais para a detecção de infecções sexualmente transmissíveis como HIV, sífilis, hepatites B e C. São infecções que, quando não identificadas, podem impactar diretamente a saúde da gestante e o desenvolvimento do bebê.
“Olhar para as ISTs de forma integrada é fundamental. Muitas vezes a paciente procura o teste pensando em uma infecção específica, mas o rastreio completo permite identificar outros riscos e agir antes que eles se tornem um problema maior”, destaca o especialista.
Tecnologia como aliada da prevenção
O avanço das tecnologias de diagnóstico e tratamento também tem papel central nesse cenário. Esquemas terapêuticos mais modernos, exames mais sensíveis e estratégias de prevenção combinada ajudam a explicar por que hoje é possível falar não só em controle, mas em redução consistente de casos e em proteção efetiva desde o início da vida.
Mais do que celebrar números, a queda de 7,9% nos casos de HIV em gestantes aponta para uma mudança estrutural: prevenção baseada em acesso, informação e diagnóstico no tempo certo. Seja nos serviços de saúde ou por meio da testagem em domicílio, levar o exame até mais perto das pessoas se consolida como uma das ferramentas mais importantes para transformar cuidado em rotina — e gravidez em um período ainda mais seguro.
Referências
1 - Ministério da Saúde. Dados epidemiológicos sobre HIV em gestantes, indicando queda de 7,9% em 2025 (cerca de 7.500 casos). https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/dezembro/brasil-elimina-transmissao-vertical-do-hiv-da-mae-para-o-bebe-e-alcanca-menor-taxa-de-mortalidade-dos-ultimos-anos
2 - https://www.grandviewresearch.com/industry-analysis/hiv-self-testing-market-report


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