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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Empreendedorismo digital consolida-se como combate à vulnerabilidade econômica feminina

Dados do IBGE e Sebrae mostram que mulheres já são maioria entre MEIs, a especialista Sabrina Nunes defende a educação digital como ferramenta imediata contra a vulnerabilidade financeira



O empreendedorismo digital ganhou tração como alternativa concreta à vulnerabilidade econômica entre as mulheres brasileiras. Dados do IBGE e do Sebrae mostram que elas já representam cerca de um terço dos empreendedores no país e são maioria entre os microempreendedores individuais, impulsionadas por negócios de baixo custo inicial e pela expansão do comércio eletrônico. 

No início de 2026, esse movimento se intensifica em meio à instabilidade do mercado formal e à busca por fontes próprias de renda, tal ação não é  isolada, acompanha transformações estruturais no mundo do trabalho e no consumo, impulsionadas pela digitalização acelerada da economia. Plataformas de venda online, redes sociais e serviços digitais reduziram barreiras históricas de entrada, permitindo que mulheres transformem habilidades práticas em negócios viáveis, muitas vezes sem capital inicial elevado ou estrutura física.

A análise de Sabrina Nunes, fundadora da Francisca Joias, e especialista em vendas na internet aponta que o fator decisivo para essa consolidação não é apenas o acesso à tecnologia, mas à educação prática. “O ambiente digital abre portas, mas é o conhecimento aplicável, voltado para operação e vendas, que permite transformar intenção em renda recorrente”, afirma. Para ela, a lógica do empreendedorismo online dialoga diretamente com a realidade de mulheres que precisam gerar resultados em curto prazo.

Os números por trás da mudança

O avanço do comércio eletrônico ajuda a explicar esse cenário. Dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico indicam que o setor manteve crescimento de dois dígitos nos últimos anos, mesmo em períodos de desaceleração econômica. Esse ambiente ampliou oportunidades fora dos grandes centros urbanos e favoreceu negócios de pequena escala, frequentemente liderados por mulheres.

Há também um componente comportamental relevante. Levantamentos do IBGE mostram que mulheres são maioria entre os usuários ativos de redes sociais no Brasil, o que fortalece estratégias de venda direta, relacionamento com clientes e construção de marca pessoal. Ao mesmo tempo, estudos do Sebrae indicam que empreendedoras tendem a reinvestir parte significativa da renda no próprio negócio e no sustento familiar, ampliando o impacto social da atividade.

Autonomia econômica e agenda pública

Na leitura da especialista, o momento do calendário econômico contribui para essa dinâmica. “O começo do ano concentra decisões de consumo e planejamento financeiro. Para muitas mulheres, empreender digitalmente deixa de ser complemento e passa a ser estratégia central de sobrevivência e autonomia”, avalia. Capacitações de curta duração, com foco prático e retorno imediato, têm apresentado maior adesão entre mulheres de baixa renda.

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, o tema ganha relevância no debate público. O empreendedorismo digital surge não apenas como resposta individual à precarização do trabalho, mas como um caminho possível para reduzir desigualdades de renda e ampliar a participação feminina na economia. A consolidação desse movimento, apontam estudos do IBGE e do Sebrae, depende de políticas voltadas à educação aplicada, conectividade e acesso a crédito orientado, elementos centrais para transformar oportunidade em trajetória sustentável.

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