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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Fevereiro Roxo: fibromialgia pode ter a ver com tensão orofacial e sobrecarga da mordida

Quando a dor não é apenas muscular

Reprodução


O fevereiro Roxo chama atenção para doenças crônicas como a fibromialgia, condição marcada por dor difusa, fadiga persistente e sensibilidade aumentada ao toque. O que pouca gente sabe é que parte desse desconforto pode se manifestar também na região da face, da mandíbula e do pescoço.

De acordo com André Girotto, cirurgião-dentista especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares e pós-graduado em Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde, pacientes com dor crônica costumam apresentar sinais de sobrecarga muscular na região orofacial.

“A fibromialgia é uma condição sistêmica, mas muitos pacientes relatam dor intensa na face, na articulação temporomandibular e na musculatura cervical. Em alguns casos, há bruxismo associado e alterações na oclusão que agravam o quadro de tensão”, explica Girotto.

A articulação temporomandibular (ATM) conecta a mandíbula ao crânio e está diretamente ligada à mastigação, fala e movimentos faciais. Quando há desequilíbrio na mordida ou hiperatividade muscular, o impacto pode extrapolar a boca.

“Não estamos dizendo que a mordida causa fibromialgia. Mas, em pacientes com dor crônica, qualquer fator adicional de sobrecarga muscular pode intensificar a percepção dolorosa. A odontologia pode contribuir reduzindo estímulos mecânicos que pioram a tensão”, afirma o especialista.

Especialistas reforçam que o tratamento da fibromialgia é multidisciplinar e envolve reumatologistas, neurologistas, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos. A odontologia, embora não atue na causa sistêmica, pode integrar esse cuidado ampliado.

“Quando olhamos o paciente de forma integral, percebemos que pequenas intervenções na função mandibular podem gerar impacto positivo na percepção de dor. O foco não é a cura, mas a melhora da qualidade de vida”, conclui Girotto.

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