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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Projeto via Lei Rouanet forma mais de 350 artesãs e gera aumento médio de 72% no faturamento de pequenos negócios

Formação gratuita combinou design, gestão e apoio financeiro, ampliando a renda e a autonomia de mulheres empreendedoras.

 

Elianete Gomes, aluna do projeto residente em Cabo do Santo Agostinho-PE Rede Asta


Ao longo de oito meses, 360 mulheres empreendedoras do setor artesanal de 10 estados brasileiros participaram de uma formação gratuita que combinou design, gestão e organização do negócio e que resultou em um crescimento médio de 72% no faturamento dos seus empreendimentos. Com atuação em 17 cidades, a iniciativa alcançou ainda 1.226 pessoas de forma indireta, ampliando seus efeitos para as famílias e comunidades onde essas mulheres vivem e produzem.


A relevância da iniciativa se insere em um contexto mais amplo do empreendedorismo no Brasil. Dados do Mapa de Empresas, divulgado pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, indicam que o país possui 24,2 milhões de empresas ativas, sendo 93,8% micro e pequenas empresas, com destaque para os Microempreendedores Individuais (MEIs), que somam 12,6 milhões de registros.


Nesse cenário, formações voltadas à qualificação e à sustentabilidade dos pequenos negócios – onde se concentram a maior parte das produtoras artesanais do país – tornam-se estratégicas para fortalecer a renda, a autonomia econômica e a permanência desses empreendimentos no mercado a longo prazo.

É nesse contexto que a Escola de Design, iniciativa da Rede Asta, organização social que há 20 anos atua no fortalecimento de nanoempreendedoras, produções artesanais e economias locais, buscou atuar. O projeto foi realizado com o patrocínio da Transpetro, maior companhia de logística multimodal de petróleo, derivados e biocombustíveis da América Latina, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.


“Ao longo do projeto, vimos mulheres ganharem mais clareza sobre seus negócios, mais segurança para se posicionar no mercado e mais reconhecimento dentro de suas próprias redes. Esses resultados confirmam a importância de investir em formações que dialogam com a realidade de quem empreende no feito à mão”, destaca Alice Freitas, co-diretora da Rede Asta.


“É fundamental que iniciativas como esta, que alcançam mulheres em todo o país ao oferecer formação qualificada e sustentável, fortalecendo sua autonomia econômica, recebam reconhecimento e incentivo. Ao apoiar o projeto, a Transpetro reafirma seu compromisso com o desenvolvimento da sociedade brasileira e reforça sua presença em diversas regiões do país”, afirma Lilian Rossetto, gerente geral de Comunicação Empresarial da Transpetro.

“Eu estava num momento de muita dúvida sobre o meu trabalho quando entrei na Escola de Design, e vi ali uma oportunidade de melhorar como artesã, como empreendedora e como pessoa. Ao longo da jornada, fui aprendendo a melhorar meus produtos, minha técnica, as embalagens e o atendimento aos clientes. Cada módulo trouxe muito aprendizado, mas o que mais marcou foi a troca com outras artesãs, de lugares e fazeres diferentes, que é extremamente enriquecedora”, conta Thaís Campos, produtora artesanal de São Luís (MA) e participante da Escola de Design.


Para garantir a permanência das participantes ao longo da jornada, o projeto destinou R$ 178.900 em bolsas incentivo, pagas às alunas, além de R$ 36.000 em capital semente, concedidos a 36 mulheres como apoio direto ao fortalecimento de seus negócios. Entre os desdobramentos do projeto, destaca-se ainda a produção de um Catálogo de Artesãs, desenvolvido para ampliar a visibilidade das participantes e gerar novas oportunidades de mercado.


Os efeitos da formação também foram refletidos de forma significativa nos indicadores de conhecimento e autonomia empreendedora. Ao final do curso, houve um aumento de 80% no indicador de segurança para empreender, demonstrando um maior preparo para implementar mudanças nos negócios, e uma elevação de 90% no indicador de visão de futuro, relacionada à clareza sobre caminhos de crescimento e planejamento. Já o indicador de atualização em relação ao mercado apresentou aumento de 81%, reforçando a capacidade de leitura de tendências e demandas do público.

Durante a formação, as participantes desenvolveram competências que conectam criação, mercado e gestão. O curso abordou desde a construção da identidade visual e o entendimento do público, passando pela leitura de tendências, planejamento de coleções e fortalecimento da marca, até estratégias de comunicação, vendas e relacionamento com clientes. A jornada foi concluída com conteúdos voltados à precificação, planejamento comercial e gestão financeira, além de cinco lives temáticas que aprofundaram discussões sobre o feito à mão e o empreendedorismo.


Ao articular conhecimento, prática e apoio financeiro, a Escola de Design demonstrou como formações estruturadas podem gerar resultados concretos para pequenos negócios liderados por mulheres. A experiência evidencia que investir em qualificação aplicada, alinhada à realidade do feito à mão, contribui para fortalecer trajetórias empreendedoras e ampliar a sustentabilidade econômica desses negócios nos territórios onde atuam.

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