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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Proteína pode explicar avanço agressivo do câncer de pâncreas

Estudo brasileiro aponta a periostina como fator-chave na metástase da doença e abre caminho para novas estratégias terapêuticas

Arte sobre ilustração – Foto: Bruce Blaus via Wikimedia Commons/CC BY 3.0


Por Sandra Capomaccio - Jornal da USP


Um estudo com pesquisadores brasileiros revela uma “proteína” ligada ao avanço do câncer de pâncreas, através dos nervos, aumentando o risco de metástase. A proteína pode ser monitorada e auxiliar em uma terapia promissora para reduzir a invasão das células doentes. Na pesquisa, é possível ver que as células pancreáticas estreladas, ao produzir a proteína periostina, remodelam o tecido e facilitam a infiltração tumoral. Essas células, de acordo com o oncologista clínico da USP, Jorge Sabbaga, diretor do Departamento de Oncologia Gastrointestinal do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), especialista no tratamento de tumores gastrointestinais, compõem e dão sustentação ao órgão e têm um papel importante no câncer, “porque grande parte do pâncreas é construído por essas células”. 


Ele explica que é um grande desafio penetrar no tumor, uma vez que esse tumor é recoberto por uma matriz extracelular. O excesso da proteína periostina nas células estreladas é a chave para o aumento da metástase.


Ao comentar a pesquisa, o médico demonstra uma certa cautela. “Eu avalio os resultados como preliminares, porque eles são importantes geradores de hipóteses. Primeiro, que isso precisa ser confirmado e, se confirmado, vai desdobrar em uma série de mecanismos de orientação ou de estratégias para que se orientem melhores definições de agressividade de um câncer para outro.”


Câncer letal


No Brasil, segundo estimativas do Inca (Instituto Nacional de Câncer), ocorrem 13 mil mortes por ano em decorrência desse tipo de tumor. Apesar de representar 2% do total de neoplasias, o câncer de pâncreas ocupa a sétima causa de mortes. “A taxa de letalidade do câncer de pâncreas é muito próxima da taxa de incidência do câncer de pâncreas”, diz o especialista. “A enorme maioria dos pacientes diagnosticados com tumor de pâncreas acaba falecendo. Felizmente, essa taxa vem diminuindo gradativamente ao longo dos anos, decorrente dos progressos tanto da oncologia como da cirurgia, mas ainda é o tumor com a maior relação incidência/letalidade que existe.” Ainda assim, os avanços no tratamento do tumor de pâncreas são incontáveis, ainda de acordo com o especialista, os quais surgem na forma de drogas novas, esquemas terapêuticos novos, “e a gente vem conseguindo domar essa doença e alguns pacientes são hoje curados”.  


No universo das neoplasias, diz o oncologista, o câncer de pâncreas não é um câncer extremamente comum, sobretudo na comparação a outros tipos de tumor, como os de próstata, do pulmão, ou mesmo o de mama ou do câncer de colo de útero em mulheres. Não há uma forma de prevenir o câncer de pâncreas ou diagnosticá-lo com antecedência, por isso o tratamento costuma ter início já com a doença em estágio avançado. 

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