No Dia Mundial do Câncer (04/02), especialistas destacam como a forma de se comunicar com o paciente impacta diretamente o manejo da doença
São Paulo, janeiro de 2026 - Neste Dia Mundial do Câncer, especialistas convidam a sociedade a refletir sobre um aspecto muitas vezes negligenciado, mas essencial no cuidado oncológico: a comunicação acessível e humanizada a respeito da doença. A forma como falamos sobre o câncer influencia diretamente a experiência da pessoa diagnosticada, o acesso à informação e a tomada de decisões ao longo do tratamento1.
Para a Dra. Maria Cristina Figueroa Magalhães, médica oncologista e professora da disciplina de Oncologia PUC-PR e UFPR, a comunicação não é um detalhe do tratamento, é uma peça fundamental. “A palavra é, muitas vezes, o primeiro tratamento que o paciente recebe. Antes da quimioterapia, da cirurgia ou da radioterapia, ele recebe uma mensagem — e essa narrativa pode acolher ou ferir”, afirma.
Na prática clínica, pequenas mudanças na forma de comunicar podem transformar completamente a experiência do paciente[1]. A Dra Maria Cristina compartilhou três formas pelas quais a linguagem impacta o cuidado do câncer, com base em sua prática clínica:
Para a oncologista, “a narrativa adequada ajuda o paciente no controle da ansiedade e outros temores”.
- A linguagem organiza o medo:
“O medo existe, mas quando o paciente entende o que está acontecendo, ele deixa de ser difuso e passa a ser manejável”, explica. A clareza da narrativa ajuda o paciente a se situar emocionalmente e a lidar melhor com o diagnóstico[2],[3].
- A linguagem fortalece o vínculo terapêutico
Segundo pesquisa, quando o paciente se sente respeitado e compreendido, a confiança na equipe aumenta, o que é uma parte essencial do cuidado[4]. “Palavras como ‘estamos juntos’ ou ‘vamos caminhar passo a passo’ devolvem a sensação de continuidade e vínculo”, destaca a médica - A linguagem devolve protagonismo ao paciente
De acordo com a oncologista, uma comunicação clara e acolhedora permite que o paciente participe ativamente das decisões sobre seu tratamento[5]. “Essa pessoa deixa de ser alguém a quem as coisas simplesmente acontecem e passa a fazer parte do processo”, afirma.
Evitar algumas expressões também são importantes, como, ‘não há mais nada a fazer’, costumam gerar desamparo, mesmo quando ainda há cuidado possível[6]. “Quando dizemos ‘não temos mais tratamento curativo, mas seguimos com cuidado, controle de sintomas e presença’, a experiência do paciente muda completamente”, complementa.
A especialista alerta para o uso de metáforas de guerra, como “lutar” ou “perder a batalha”, que costumam impor uma carga emocional injusta ao paciente, como se o desfecho dependesse apenas de sua força pessoal. “A linguagem não muda o diagnóstico, mas pode transformar profundamente a experiência de quem vive com ele”, conclui a Dra. Maria Cristina.
Neste Dia Mundial do Câncer, a Novartis se une à Union for International Cancer Control (UICC), a maior organização global dedicada ao combate ao câncer, para amplificar o tema global #UnitedByUnique. Uma campanha, que vai de 2025 a 2027, para colocar as pacientes no centro do cuidado e suas histórias no centro da conversa, reforçando a importância de olhar para o câncer com empatia, equidade e escuta ativa.
Sobre a Novartis
A Novartis está reimaginando a medicina para melhorar e ampliar a vida das pessoas. Como empresa líder global em medicamentos, utilizamos ciência inovadora e tecnologias digitais para criar tratamentos transformadores em áreas de grande necessidade médica. Em nossa busca por novos medicamentos, estamos constantemente classificados entre as principais empresas do mundo que investem em pesquisa e desenvolvimento. Os produtos da Novartis alcançam mais de 750 milhões de pessoas em todo o mundo e estamos encontrando maneiras inovadoras de expandir o acesso aos nossos tratamentos mais recentes. Cerca de 105 mil pessoas de mais de 140 nacionalidades trabalham na Novartis em todo o mundo. Saiba mais em www.novartis.com.
[1]Letramento em saúde: paciente bem-informado é peça-chave para a transformação da jornada e da segurança do cuidado. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/letramento-em-saude-paciente-beminformado-e-pecachave-para-a-transformacao-da-jornada-e-da-seguranca-do-cuidado/16821/7/. Acesso em: 20/01 às 10:30
[2] Albrecht TL, Eggly SS, Gleason ME, et al. .Influence of clinical communication on patients’ decision making on participation in clinical trial. J Clin Oncol. 2008;26(16):2666-2673.
[3] Kim J, Gao J, Amiri-Kordestani L, Beaver AND, Kluetz P. Patient-Friendly Language to Facilitate Treatment Choice for Patients with Cancer. Oncologist. 2019;24(8):1011-1012. https://doi.org/10.1634/theoncologist.2018-0761.
[4] Stiefel, F.C. Communication in Cancer Care Springer, New York, 2006
[5] Patient‐Friendly Language to Facilitate Treatment Choice for Patients with Cancer. The Oncologist, Volume 24, Issue 8, August 2019, Pages 1011–1012, https://doi.org/10.1634/theoncologist.2018-0761
[6] Comunicação de notíicias difíceis: compartilhando desafio na atenção à saúde. Disponível em: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/comunicacao_noticias_dificeis.pdf


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