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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Série A do Brasileirão tem média de público de 18,5 mil torcedores após quatro rodadas, 19% a menos que em 2025

Início precoce do Brasileirão e preço dos ingressos estão entre motivos listados por especialistas; aproximação com torcedor e novas formas de entretenimento também são destaque

Foto: Gilvan de Souza / CRF


Em meio ao início da temporada no futebol brasileiro, os clubes que disputam a elite do campeonato nacional têm registrado médias de público abaixo do esperado em comparação com anos anteriores. Após a concretização das quatro primeiras rodadas, a média atual é de 18,5 mil pessoas por partida, número que representa uma queda de 19% em comparação com os índices à mesma altura da competição em 2025, quando estava na casa dos 22,9 mil.


Até o momento, os números contrastam, inclusive, com uma série histórica registrada após o fim da pandemia, quando por três anos seguidos a Série A do Brasileirão registrou médias do público que hoje figuram no top 3 do ranking histórico: 26.502 expectadores por partida em 2023, 25.778 em 2024 e 25.531 em 2025.


No momento, entre as principais médias de público do Brasileirão 2026 estão o Flamengo (56,4 mil), Bahia (40,4 mil) e Fluminense (26,7 mil). São Paulo (22,8 mil) e Athletico-PR (21,9  mil).completam o top 5.


Entre os principais motivos que podem ajudar a explicar o atual panorama, destaca-se o começo antecipado do Campeonato Brasileiro, que em 2026 teve início em janeiro (após a reformulação do calendário nacional), resultando em uma grande quantidade de jogos no nas primeiras semanas de 2026. Nesse sentido, o atual patamar dos preços dos ingressos também despontam como outros fatores que podem justificar tal conjuntura. É o que aponta Fábio Wolff, sócio-diretor da agência de marketing esportivo Wolff Sports.


“A mudança do Campeonato Brasileiro para o início do ano trouxe um cenário novo, em que clubes disputam estadual, Brasileirão e rodadas iniciais da Copa do Brasil, em alguns casos, tudo ao mesmo tempo. Com muitos jogos em disputa e o elevado valor dos ingressos, sobretudo nos principais centros do país, o torcedor pode acabar sendo obrigado a escolher jogos específicos, sejam aqueles de perfil de mata-mata ou as partidas do campeonato nacional. A padronização de horários fora do que foi comum por muitos anos anos também pode ser levada em consideração, com partidas cada vez mais cedo durante a semana e no período noturno aos finais de semana”, destaca.


Outras formas de entretenimento crescendo


Segundo especialistas, a queda dos índices de público nas rodadas iniciais pode ser vista como algo pontual, mas é necessário que os clubes sigam mantendo iniciativas para atrair os torcedores aos estádios. “A capacidade dos clubes em atrair torcedores para o estádio, sobretudo nos momentos mais decisivos, é indiscutível, bem como a paixão da torcida. Entretanto, é fundamental manter programas de fidelidade eficazes para impulsionar a presença em todos os momentos da temporada, seja a partir de promoções dentro dos planos de sócio-torcedor, descontos nos ingressos ou novas ações de marketing”, pontua Bruno Brum, CMO da End to End.


No longo prazo, também há de se levar em conta as novas formas de entretenimento que tem atraído o público, sobretudo os torcedores mais jovens – segundo o estudo “Faces do Esporte”, conduzido pela MindMiners, a Geração Z (nascidos entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2010) se destaca por consolidar o uso das redes sociais (56%) como a principal forma de consumir esportes, superando inclusive a TV aberta (54%). Na mesma faixa-etária, 61,3% consideram-se gamers segundo a Pesquisa Game Brasil de 2025.


Em meio a essa tendência entre o público jovem, formatos de entretenimento gamificados também se destacam. A Kings League, por exemplo, competição de futebol de 7 criada pelo ex-zagueiro Piqué e que vem fazendo sucesso pelo mundo, também se destacou no Brasil, com uma proposta de tornar o jogo mais dinâmico e imprevisível, a partir de uma forma de disputa inspirada nos games.


Em solo nacional, a competição teve a disputa da final da Copa do Mundo no Allianz Parque, em São Paulo, em janeiro deste ano, quando recebeu público de 41.316, apenas 141 espectadores a menos que o recorde do estádio (registrado em partida do Palmeiras contra o Corinthians, em 2023). Já em maio de 2025, a final da Kings League Brasil, também no estádio palmeirense, contou com a presença de 40.027 torcedores, número que superou o público de seis dos dez jogos da rodada do Brasileirão na mesma semana.


Dentro do cenário dos games, o panorama também é promissor no Brasil e gera expectativas quanto às possibilidades para atrair novos adeptos. No momento, o país consolida-se como a segunda maior audiência digital de esportes do mundo — totalizando 59 milhões de visitantes únicos somente em setembro de 2025, segundo a Comscore, empresa especializada em avaliação de mídia –, e também segue como o terceiro maior mercado do mundo em horas jogadas em dispositivos móveis, segundo o relatório The State of Mobile Gaming 2025. Já segundo a Pesquisa Game Brasil (PGB) de 2025, atualmente 80,1% dos brasileiros consideram os games a principal maneira de se divertir.


“A mudança não é apenas de preferência, é de comportamento. A nova geração consome esporte de forma digital, fragmentada e altamente interativa. Os e-sports conseguem capturar essa atenção porque unem competição, entretenimento, criadores e comunidade em uma única experiência. Esse modelo dialoga diretamente com a forma como o público jovem se informa, se conecta e passa o tempo hoje. Por isso, o crescimento do interesse por campeonatos de jogos eletrônicos é estrutural, não pontual”, analisa Bruna Simões, CEO da Thunder Games, empresa brasileira de desenvolvimento de jogos e soluções gamificadas que transforma ideias em experiências interativas.


Ainda segundo a PGB de 2025, o número atual de brasileiros que afirmam consumir jogos digitais é recorde, representando 82% da população. Além disso, o estudo também indicou um aumento de 8,9 pontos percentuais nessa métrica em relação ao ano anterior - a alta é a maior já registrada pela pesquisa.

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