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segunda-feira, 2 de março de 2026

45,1% dos universitários já empreenderam ou querem abrir negócio, aponta índice nacional

Levantamento ouviu mais de 33 mil estudantes em 121 instituições e aponta descompasso entre intenção de empreender e suporte no campus; Unicamp e USP lideram entre as mais bem avaliadas no estímulo ao ensino empreendedor



Uma pesquisa nacional da Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), com mais de 33 mil estudantes em 121 instituições de ensino superior, aponta que 45,1% dos universitários já empreenderam ou pretendem abrir um negócio. Apesar do interesse, os dados indicam percepção desigual sobre cultura e suporte ao empreendedorismo no campus. No ranking geral do IESE 2025, Unicamp e USP aparecem no topo entre as instituições mais bem avaliadas no estímulo ao ensino empreendedor.

Além de identificar as universidades mais bem avaliadas, o levantamento aponta desafios no dia a dia do campus, como infraestrutura e organização do ensino. Os resultados funcionam como diagnóstico para orientar ajustes no planejamento das instituições.

Na sequência do ranking, além da Unicamp e da USP, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV) também aparecem entre as mais bem colocadas.

Veja as 10 primeiras no ranking geral:

1º- Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
2º- Universidade de São Paulo (USP)
3º- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
4º- Universidade Federal de Itajubá (Unifei)
5º- Universidade Federal de Viçosa (UFV)
6º- Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
7º- Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
8º- Universidade Federal de Lavras (UFLA)
9º- Universidade do Vale do Taquari (Univates)
10º- Universidade de Brasília (UnB)

O IESE também listou as instituições mais bem avaliadas por região. No Norte, a primeira colocada foi a Universidade do Estado do Amazonas (UEA); no Nordeste, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); no Centro-Oeste, a Universidade de Brasília (UnB); e, no Sul, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

O que os estudantes relatam

Na pesquisa, 63,2% dos respondentes disseram que, durante a graduação, contribuíram para o crescimento de um ou mais projetos dentro da instituição, e 45,1% afirmaram que já empreenderam ou pretendem abrir um negócio. Quando o recorte é a cultura empreendedora, 51,25% concordaram parcial ou totalmente, enquanto 25,88% discordaram parcial ou totalmente. Para a Brasil Júnior, os dados indicam que essa cultura ainda não é percebida de forma homogênea no ambiente universitário.

O estudo mostra ainda que a contribuição da matriz curricular e do modelo de ensino para o desenvolvimento de competências empreendedoras é percebida, em geral, de forma parcial pelos estudantes. O resultado sugere avanços, mas indica que essas práticas ainda não estão plenamente consolidadas nas instituições. Características como curiosidade e pensamento inovador e criativo aparecem com maior concordância, enquanto aspectos como planejamento de atividades, facilidade para comunicar ideias e apoio a iniciativas empreendedoras têm avaliações mais distribuídas, o que indica fragilidades na consolidação prática dessas competências.

Na avaliação de infraestrutura, que considerou apenas estudantes que vivenciam o ensino presencial, itens básicos como salas de aula, bibliotecas e laboratórios concentram mais respostas nas categorias “boa” e “excelente”. Em contrapartida, transporte interno, moradia estudantil e ambientes de inovação aparecem com percentuais elevados na opção “não observado”, o que aponta limitações de oferta e de integração desses espaços à vivência acadêmica. O levantamento também ressalta que a acessibilidade segue como desafio, já que nenhuma dimensão voltada a pessoas com deficiência supera, de forma significativa, 20% de avaliações “excelente”. Embora a disponibilidade de acesso à internet seja bem avaliada, a velocidade de conexão no ensino presencial se concentra entre “razoável” e “boa”.

Para a coordenadora geral do IESE 2025, Emanuelly Araújo, o índice deve ser entendido como um instrumento de diagnóstico, capaz de orientar ajustes no planejamento institucional. “O IESE não se propõe apenas a classificar instituições, mas a compreender, com base em dados e na percepção dos estudantes, como o ambiente acadêmico favorece inovação, extensão e protagonismo estudantil”.

Outro desafio recorrente destacado no levantamento é a indisponibilidade de determinados dados e a falta, em muitas instituições, de bases estruturadas para acompanhar atividades, indicadores e resultados. Segundo a Brasil Júnior, isso afeta a capacidade de análise e de tomada de decisão. Por isso, a metodologia da pesquisa seguiu referências nacionais e internacionais e organizou os resultados em quartis, para comparar o desempenho relativo entre instituições com níveis diferentes de maturidade. O material também destaca que a transparência pública foi adotada como critério estratégico, porque nem sempre os dados estão disponíveis de forma acessível ou padronizada nos canais institucionais.

O IESE 2025 também selecionou cases reconhecidos como Boas Práticas, com iniciativas em eixos como cultura empreendedora, extensão, infraestrutura, inovação e internacionalização. Entre os exemplos listados estão “Startup Mentoring UFSC” (Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC), “Programa Sinergia” (Universidade Federal de Santa Maria – UFSM) e “O Selo UFV +Sustentável” (Universidade Federal de Viçosa – UFV).

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