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segunda-feira, 23 de março de 2026

Apenas 62,5% dos domicílios brasileiros estão ligados à rede de esgoto, revela Censo 2022



Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que somente 62,51% dos domicílios do país possuem conexão com rede geral de esgotamento sanitário, evidenciando fortes desigualdades regionais e estaduais.


Sudeste lidera; Norte e Nordeste concentram déficits


O levantamento revela um contraste marcante entre as regiões brasileiras. Os maiores índices de cobertura estão concentrados no Sudeste e no Sul, enquanto Norte e parte do Nordeste apresentam os menores níveis de acesso.


O estado de São Paulo aparece na liderança nacional, com 91,3% dos domicílios conectados à rede de esgoto, seguido pelo Distrito Federal (86,22%),Rio de Janeiro (84,38%) e Minas Gerais (80,74%). Esses números indicam infraestrutura mais consolidada e maior histórico de investimentos urbanos.


No extremo oposto, os menores índices estão na Região Norte. O Amapá registra apenas 12,06%, enquanto Rondônia (13,63%), Pará (19,99%) e Maranhão (18,16%) também apresentam cobertura muito baixa, inferior a 20% dos domicílios.


Nordeste apresenta cenário desigual


No Nordeste, os dados mostram avanços pontuais, mas ainda com grande heterogeneidade. Estados como Sergipe (54,16%), Pernambuco (53,54%) e Bahia (53,87%) superam a metade da população atendida. Já outros permanecem abaixo da média nacional, como Rio Grande do Norte (32,62%), Alagoas (34,08%) e Piauí (18,53%).


A Paraíba, com 49,08%, aproxima-se da média intermediária, mas ainda distante dos níveis observados no Sudeste.


Centro-Oeste e Sul em posição intermediária


No Centro-Oeste, os indicadores variam entre níveis médios e altos. Goiás (53,57%) e Mato Grosso do Sul (50,36%) ficam próximos da média nacional, enquanto Mato Grosso (33,98%) apresenta cobertura menor.


Na Região Sul, os números são mais equilibrados: Paraná (70,25%), Rio Grande do Sul (63,48%) e Santa Catarina (54,34%), todos acima ou próximos do índice brasileiro.


Impactos sociais e ambientais


Especialistas apontam que a baixa cobertura de esgotamento sanitário está diretamente relacionada a problemas de saúde pública, poluição hídrica e desigualdade social. A ausência de rede coletora favorece a contaminação de rios e lençóis freáticos, além de ampliar a incidência de doenças de veiculação hídrica.


Os dados do IBGE reforçam que o saneamento continua sendo uma das principais lacunas da infraestrutura nacional, apesar das metas estabelecidas pelo novo marco legal do setor, que prevê universalização dos serviços até 2033.


Desafio para políticas públicas


O panorama revelado pelo Censo 2022 indica que a expansão do saneamento básico permanece como um dos maiores desafios estruturais do desenvolvimento brasileiro. A diferença entre estados com mais de 90% de cobertura e outros abaixo de 15% evidencia que o acesso ao esgoto tratado ainda depende fortemente da região onde o cidadão vive.


A universalização do serviço, segundo analistas do setor, exigirá continuidade de investimentos, planejamento urbano e integração entre governos estaduais, municipais e iniciativa privada — condição considerada essencial para reduzir desigualdades históricas e melhorar indicadores sociais no país.

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