Barometro da Lusofonia aponta sociedade brasileira como uma das que mais apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o ensino da história negra nas escolas
O Brasil aparece como o país com menor presença de mulheres no parlamento entre as nações de língua portuguesa, mas simultaneamente está entre os mais progressistas quando o assunto é opinião pública. Os dados são da primeira edição do Barômetro da Lusofonia, pesquisa realizada pelo IPESPE - Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas - com mais de 5 mil entrevistados em oito países (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste).
O levantamento mostra que a sociedade reconhece e debate essas desigualdades: 55% dos brasileiros consideram que as condições entre homens e mulheres são desiguais ou muito desiguais. Entre os países lusófonos, é o terceiro na lista daqueles que mais detectam essa desigualdade de gênero. Os dois primeiros países dessa lista são africanos: Guiné-Bissau (76%) e Cabo Verde (62%).
Após o Brasil, na sequência, mais duas nações da África: Angola (53%) e Moçambique (52%). Em Portugal, houve empate técnico entre os que consideram as condições entre homens e mulheres muito desiguais ou desiguais (49%) e aqueles que consideram que há pouca ou nenhuma diferença entre eles (50%).
Completam a lista São Tomé e Príncipe (44%) e Timor-Leste, o país que menos detectou diferença entre gêneros: 43% disseram que as condições entre homens e mulheres são desiguais ou muito desiguais.
A pesquisa também aponta, a partir de dados internacionais, um déficit na representação feminina no parlamento brasileiro, colocando o país na penúltima posição entre os lusófonos analisados.
Pela ordem, os países com mais representação política feminina são Cabo Verde (44,4%), Moçambique (42,4%) e Timor-Leste (38,5%). Eles superam inclusive Portugal (36,1%), cujo percentual é bastante próximo ao de Angola (36,8%). A lista é completada por São Tomé e Príncipe (20,0%), Brasil (17,7%) e Guiné-Bissau (14,9%). o pior no ranking de representação feminina.
Comportamento progressista
O Brasil aparece entre os países com maior apoio a pautas como o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o ensino da história negra nas escolas, sinalizando uma população mais aberta a temas ligados a direitos civis e inclusão. É o segundo na lista de apoio ao casamento homoafetivo, com 48% de respostas favoráveis, superado apenas por Portugal (70%). Na sequência vêm Cabo Verde (38%), bem à frente de Angola e Moçambique (ambos 10%), Timor-Leste (7%) e São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau (ambos com 3%).
A percepção sobre desigualdade racial também se destaca. Para 35% dos entrevistados, a herança da escravidão ainda impacta fortemente a sociedade brasileira — índice superior à média dos países lusófonos. Além da área social, o brasileiro considera que o legado da escravidão afeta também a cultura (18%), a política (17%) e a economia (9%); outros 12% dos entrevistados afirmaram que a escravidão afeta todas essas áreas.
Para efeito de comparação, em Portugal 35% dos entrevistados também apontam o social como o setor em que a herança da escravidão possui mais impacto. Economia (16%), cultura (13%) e política (7%) foram citados na sequência, enquanto 13% das pessoas disseram que os efeitos da escravidão perpassam todas essas áreas.
No campo dos valores, o Brasil ocupa posição intermediária na aceitação de imigrantes, com 69% favoráveis à entrada de estrangeiros, indicando uma sociedade relativamente aberta, mas ainda atravessada por desigualdades estruturais.
Portugal é o país com menor percepção favorável à imigração, com 43%. Lá, 52% dos entrevistados disseram ser desfavoráveis aos imigrantes.
Os países lusófonos mais favoráveis à imigração estão na África: São Tomé e Príncipe (90%), Guiné-Bissau (75%) e Cabo Verde (70%). Angola e Moçambique (68%) e Timor-Leste (59%) completam a lista.


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