Levantamento aponta forte efeito multiplicador da infraestrutura rodoviária sobre o crescimento do setor de transporte e logística

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Cada R$ 1 investido em rodovias pode gerar até R$ 4,77 em atividade econômica no setor de transporte, segundo levantamento da CNT. A Série Especial de Economia – Investimentos em Transporte mostra que os aportes em infraestrutura rodoviária produzem um forte efeito multiplicador sobre o PIB do transporte, com impactos rápidos sobre produtividade, eficiência logística e custos operacionais.
No curto prazo, os efeitos aparecem rapidamente. De acordo com a análise, a cada R$ 1 investido pelo setor privado em rodovias, o PIB do transporte cresce R$ 2,58 no mesmo trimestre em que o investimento é realizado. No caso dos investimentos públicos federais, o impacto imediato é menor: R$ 0,61 para cada real aplicado.
Na prática, rodovias mais eficientes reduzem o custo do frete, aceleram o transporte de mercadorias e barateiam o deslocamento de alimentos, combustíveis e produtos industriais até consumidores e empresas. Com melhor infraestrutura, caminhões conseguem percorrer trajetos em menos tempo e com menor consumo de combustível.
Quando considerado o efeito acumulado ao longo do tempo, o impacto econômico se torna ainda mais expressivo. Segundo o estudo, cada R$ 1 investido pelo setor privado pode gerar R$ 4,77 no PIB do transporte em até nove meses, enquanto o investimento público federal produz efeito semelhante (R$ 4,64) apenas após 18 meses.
Os dados ganham relevância diante do peso do transporte na economia brasileira. Em 2025, o PIB do setor de transporte, armazenagem e correio alcançou R$ 395,67 bilhões, com crescimento de 2,1% em relação ao ano anterior, segundo análise do Radar CNT do Transporte – PIB Brasil 2025. No mesmo período, a economia brasileira avançou 2,3%, totalizando R$ 12,74 trilhões.
Apesar dessa relevância econômica, o nível de investimentos no país permanece limitado. Em 2025, os investimentos na economia brasileira cresceram apenas 2,9%, e a participação dos investimentos no PIB ficou em 16,8%, abaixo da média histórica de 17,9% registrada entre 1996 e 2025.
“Ampliar e qualificar os investimentos em infraestrutura logística não apenas melhora a eficiência do transporte, mas também contribui para reduzir custos operacionais, aumentar a produtividade das cadeias produtivas e fortalecer a competitividade do Brasil”, afirma a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende.


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