Nova fase de operacionalização começa nesta segunda-feira (23/3), com investimento de R$ 957,2 milhões apenas no mês de março. Ao todo, 9,4 milhões de famílias recebem o benefício nesta etapa
A meta do Governo do Brasil é viabilizar cerca de 65 milhões de recargas por ano às famílias atendidas pelo programa Gás do Povo - Foto: Ricardo Botelho/MME
O programa Gás do Povo, política pública do Governo Federal voltada ao combate à pobreza energética, alcançou aproximadamente 15 milhões de famílias brasileiras e entra em uma nova fase de expansão a partir desta segunda-feira (23). A iniciativa garante a recarga gratuita do botijão de gás de cozinha de 13 quilos para famílias de baixa renda, com retirada direta em revendas credenciadas.
Segundo o governo, a nova etapa representa a ampliação mais significativa desde a criação do programa, triplicando o número de beneficiários e consolidando a política como uma das maiores ações públicas de acesso ao chamado “cozimento limpo” no mundo. A medida busca ampliar o uso de energia considerada mais segura e reduzir a dependência de alternativas como lenha e carvão, associadas a riscos à saúde e acidentes domésticos.
Investimento e alcance nacional
A fase iniciada em março conta com investimento de R$ 957,2 milhões apenas neste mês, beneficiando 9,4 milhões de famílias nesta etapa operacional. A meta do governo é viabilizar cerca de 65 milhões de recargas de botijão por ano.
O modelo atual substitui o pagamento em dinheiro — adotado em políticas anteriores — pela entrega direta do gás, estratégia que, segundo o Ministério de Minas e Energia, aumenta o controle da política pública e assegura que o benefício seja utilizado especificamente para o preparo de alimentos.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o programa integra políticas social e energética para enfrentar a chamada pobreza energética e ampliar o acesso ao insumo essencial. Já o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, destacou o impacto social da medida, sobretudo entre famílias em situação de maior vulnerabilidade.
Perfil dos beneficiários
Dados divulgados pelo governo indicam que 92% dos lares atendidos são chefiados por mulheres — cerca de 8,7 milhões de famílias. A predominância feminina aparece em todas as regiões do país, superando 85% dos beneficiários e chegando a 96% em alguns estados.
Especialistas em políticas sociais costumam apontar que programas voltados à segurança alimentar e energética têm impacto direto na organização doméstica e na saúde familiar, especialmente em contextos de baixa renda.
Expansão gradual
O Gás do Povo foi implementado em etapas desde novembro de 2025:
De acordo com o governo, o número de revendas credenciadas quadruplicou entre novembro de 2025 e março de 2026, permitindo a interiorização do benefício.
Distribuição de recursos
O investimento de março contempla todas as unidades da federação. Entre os estados com maior volume de recursos estão:
- Bahia: R$ 129,3 milhões para cerca de 1,2 milhão de famílias;
- São Paulo: R$ 120 milhões para aproximadamente 1,19 milhão de lares;
- Pará: R$ 85,9 milhões destinados a 808 mil famílias;
- Minas Gerais: R$ 70,4 milhões para 737 mil beneficiários;
- Pernambuco: R$ 68,3 milhões para 753 mil famílias.
Como acessar o benefício
A consulta ao benefício pode ser feita pelo aplicativo Meu Social – Gás do Povo, onde o cidadão verifica a liberação do vale e localiza revendas credenciadas. Não é necessário comparecer ao CRAS.
Beneficiários sem acesso à internet podem utilizar o cartão do Bolsa Família, cartão de débito da Caixa ou apenas informar o CPF nas maquininhas utilizadas pelas revendas autorizadas.
Critérios de participação
Para receber o benefício, é necessário:
- família com pelo menos duas pessoas;
- renda per capita de até meio salário mínimo;
- inscrição atualizada no Cadastro Único nos últimos 24 meses;
- CPF regular do responsável familiar;
- prioridade para famílias já atendidas pelo Bolsa Família.
Combate à pobreza energética
O programa busca enfrentar a dificuldade de acesso ao gás de cozinha, cujo preço elevado levou parte da população a recorrer a combustíveis alternativos, como lenha e querosene. Estudos associam essas práticas ao aumento de doenças respiratórias e riscos de queimaduras, sobretudo entre mulheres e crianças.
A recente transformação do Gás do Povo em lei federal pretende dar caráter permanente à política pública, integrando-a ao recém-criado Programa Nacional de Acesso ao Cozimento Limpo, que prevê mecanismos de monitoramento, governança e financiamento contínuo.
Analistas apontam que a efetividade do programa deverá ser avaliada nos próximos meses a partir da regularidade das entregas, do impacto sobre o orçamento das famílias e da sustentabilidade fiscal da iniciativa em escala nacional.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.


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