- Em 2024, país registrou 7,5 mil mortes pela doença, segundo dados disponíveis no Observatório da Saúde Pública, da Umane
- No ano passado, as taxas de vacinação contra o HPV cresceram 5%, com maior adesão de público feminino
São Paulo, março de 2026 – O Brasil registrou 7,5 mil mortes em decorrência do câncer do colo do útero em 2024, alcançando o terceiro ano seguido de alta nos óbitos pela doença, que pode ser evitada com a vacinação contra o vírus HPV. No ano anterior, foram 7,2 mil mortes. Os dados são do DATASUS-SIM, disponíveis no Observatório da Saúde Pública, da Umane, organização que atua pelo fortalecimento da saúde pública. O número representa o maior patamar registrado na série histórica iniciada em 2000, quando foram contabilizadas cerca de 3.955 mortes. A tendência de aumento se intensificou no início em 2022, acumulando crescimento de 13,4% até o ano de 2024.
As principais vítimas da doença, em 2024, foram mulheres com 65 anos ou mais (32,6% das mortes), pardas (48,3%) e com menor escolaridade, contabilizando de 0 a 7 anos de estudos (52,3%).
Dados do inquérito Vigitel de 2024 indicam que, em 2024, 12,5% das mulheres entre 25 e 64 anos informaram nunca ter realizado o exame de Papanicolau na vida, principal método de rastreamento do câncer do colo do útero, ao menos uma vez na vida.
Principal estratégia de prevenção do câncer do colo do útero, a vacinação contra o HPV registrou cobertura de 79,95% entre pessoas de 9 a 14 anos em 2025, com maior adesão entre meninas (85,89%) do que entre meninos (74,26%), segundo dados do Ministério da Saúde. Os números evidenciam o crescimento da vacinação em relação a 2024, cuja cobertura era de 75%, com índices de 83% entre meninas e 67% entre meninos.
“Apesar da evolução nas taxas de vacinação contra HPV e aumento anual na realização do exame citopatológico, permanece o desafio de universalizar a cobertura do exame e a vacinação de meninas de 9 a 14 anos. Somente com políticas públicas fortes e integradas - focadas na prevenção e que considerem nossa diversidade regional, demográfica e os determinantes sociais de gênero - é que o país poderá enfrentar esse desafio e proporcionar saúde, qualidade de vida e longevidade para essa parcela da população”, afirma Thais Junqueira, Superintendente Geral da Umane.
Prevenção e erradicação
Com a meta de erradicar a mortalidade de mulheres por câncer do colo do útero até 2030, o projeto Unidos pela Eliminação do Câncer de Colo do Útero está em expansão no Ceará, com atuação em municípios da região de saúde de Caucaia. A estratégia prioriza crianças e adolescentes de 9 a 14 anos e busca atingir 90% de cobertura vacinal contra o HPV, além de 40% de cobertura de rastreamento.
Em 2025, nos municípios pilotos, Paracuru e São Gonçalo do Amarante, a meta de vacinação já foi ultrapassada, tanto para as meninas como para os meninos. Já os dados da região de saúde de Caucaia como um todo ainda está em evolução, sendo 80,1% para as meninas e 69,7% para os meninos.
A iniciativa integra o movimento Juntos Contra o HPV, idealizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, dentro do programa Juntos pela Saúde, do BNDES, gerido pelo IDIS em parceria com a Umane.
Em dezembro de 2025, o projeto foi reconhecido pelo Ministério da Saúde e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) como uma das iniciativas educacionais em epidemiologia aplicadas aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).



Nenhum comentário:
Postar um comentário