Com instabilidade geopolítica, especialistas avaliam dependência de petróleo e gás e defendem segurança e previsibilidade energética para a indústria
Com a intensificação das tensões no Oriente Médio, especialistas voltam a discutir até que ponto a dependência global de combustíveis fósseis, concentrados em regiões geopoliticamente sensíveis, expõe países e indústrias a uma volatilidade estrutural de custos e abastecimento.
Um dos principais pontos de atenção é o fluxo de petróleo e gás pelo Golfo Pérsico, região estratégica para o comércio global de energia, especialmente pela proximidade com o Estreito de Ormuz. Episódios de instabilidade nessa área costumam provocar reações imediatas no mercado internacional, afetando preços e projeções de oferta.
Nos últimos meses, análises de mercado têm apontado cenários bastante distintos para o preço do barril nos próximos anos. Em um contexto de desaceleração econômica global, projeções indicam que o petróleo poderia recuar para a faixa de US$ 50. Por outro lado, diante da escalada das tensões geopolíticas, algumas estimativas consideram a possibilidade de o barril ultrapassar US$ 150 em cenários de disrupção relevante das rotas estratégicas de transporte. Essa amplitude ilustra um ponto central do debate energético atual: a elevada volatilidade e imprevisibilidade associadas ao mercado internacional de petróleo.
Mesmo países com produção relevante, como o Brasil, não ficam imunes a essa dinâmica. Apesar da presença da Petrobras e do avanço da produção no pré-sal, o mercado brasileiro segue conectado às oscilações internacionais, já que petróleo e derivados são commodities globais. Seus preços influenciam diretamente combustíveis, gás natural e insumos energéticos utilizados pela indústria.
Essa não é a primeira vez que crises externas provocam transformações na matriz energética brasileira. Nos anos 1970, a crise global do petróleo, impulsionada por conflitos no Oriente Médio e pelo embargo promovido pela OPEC, levou o país a enfrentar escassez de combustíveis e forte pressão econômica. Como resposta, o governo lançou o Programa Nacional do Álcool (Pró-Álcool), incentivando a produção e o uso de etanol como alternativa à gasolina.
Décadas depois, o programa se consolidou como um marco da política energética brasileira e contribuiu para posicionar o país como um dos principais produtores de biocombustíveis do mundo.
Hoje, em meio a novas tensões geopolíticas e à crescente pressão global por descarbonização, especialistas apontam que a discussão sobre segurança energética tende a caminhar cada vez mais próxima da agenda de transição energética.
Nos últimos anos, empresas industriais têm ampliado investimentos em soluções capazes de reduzir a exposição à volatilidade internacional do petróleo e do gás, buscando fontes energéticas mais previsíveis, locais e de menor intensidade de carbono.
Uma dessas frentes é a substituição de combustíveis fósseis por biomassa para geração de energia térmica em processos industriais — etapa que responde por uma parcela significativa do consumo energético de setores hard-to-abate, como alimentos e bebidas, papel e celulose, química, mineração e fertilizantes.
Alguns dados ajudam a dimensionar essa discussão:
- Cerca de 70% a 75% do consumo energético da indústria global ainda depende de combustíveis fósseis, segundo a International Energy Agency
- Processos térmicos industriais respondem por aproximadamente metade da demanda energética do setor
- Episódios recentes de volatilidade nos mercados de gás e petróleo pressionaram custos industriais, especialmente após a crise energética desencadeada pela guerra na Ucrânia
Nesse contexto, a transição energética deixa de ser interpretada apenas como uma agenda climática e passa a ocupar também um papel estratégico na gestão de risco e na previsibilidade de custos da indústria.
Entre as alternativas que vêm ganhando espaço está o uso de biomassa para geração de energia térmica, especialmente em processos industriais intensivos em calor. O modelo tem sido adotado como forma de reduzir a exposição às oscilações de preços de combustíveis fósseis e, ao mesmo tempo, avançar em metas de descarbonização.
No Brasil, empresas especializadas vêm estruturando soluções baseadas em contratos de longo prazo, nos quais assumem o investimento (CAPEX), a operação e a manutenção dos sistemas de geração térmica, permitindo que a indústria acesse energia renovável sem a necessidade de imobilização de capital. Esse formato tem sido observado com maior frequência em setores como alimentos e bebidas, papel e celulose, mineração e química.
A ComBio Energia está entre as empresas que atuam nesse segmento e acompanha de perto o avanço desse tipo de solução no país. A companhia desenvolve e opera projetos de geração de energia térmica a partir de biomassa, com foco na substituição de combustíveis fósseis em processos industriais.
Na avaliação de especialistas do setor, movimentos recentes no cenário internacional, como a volatilidade nos mercados de petróleo e gás e eventos geopolíticos que afetam rotas estratégicas de abastecimento, tendem a reforçar esse tipo de estratégia, ao aumentar a relevância de fontes energéticas locais, renováveis e menos expostas a choques externos.



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