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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Desabastecimento de ciclofosfamida no Brasil acende alerta para risco em tratamentos onco-hematológicos



A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) alerta para o agravamento do desabastecimento de ciclofosfamida no Brasil, medicamento essencial no tratamento de diversas doenças graves, como linfomas, leucemias e no preparo de pacientes para transplante de células-tronco hematopoéticas.

 

O cenário preocupa especialistas, pois a previsão de normalização do fornecimento no país é apenas para julho de 2026, o que pode comprometer a continuidade de tratamentos potencialmente curativos.
 

A ciclofosfamida é considerada um dos pilares da terapia onco-hematológica. Segundo a ABHH, em muitas situações clínicas não há substitutos com a mesma eficácia e custo-benefício, o que torna a falta do medicamento ainda mais crítica.
 

A escassez pode levar ao adiamento de tratamentos, alteração de protocolos terapêuticos e até suspensão de procedimentos como transplantes de medula óssea. Essas mudanças podem impactar diretamente os desfechos clínicos, reduzindo as chances de cura e aumentando riscos para os pacientes.
 

Além disso, o problema se soma à descontinuidade recente de outros medicamentos importantes, como melfalano e bussulfano intravenoso, ampliando a pressão sobre o sistema de saúde.
 

De acordo com a ABHH, a situação evidencia uma fragilidade estrutural do mercado brasileiro: a dependência de um número restrito de fornecedores para medicamentos essenciais. No caso da ciclofosfamida, a concentração de registro em um único fabricante contribui para o cenário atual de desabastecimento.
 

Diante da gravidade da situação, a ABHH encaminhou novo ofício à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), solicitando medidas urgentes para garantir o acesso ao medicamento.
 

Entre as principais ações defendidas pela entidade estão:

  • Prioridade na análise de pedidos de registro de novos fornecedores
  • Adoção de medidas emergenciais, como autorização excepcional de importação
  • Diversificação do mercado para reduzir riscos futuros

Uma das alternativas em avaliação é a viabilização do registro de uma nova empresa farmacêutica, que já sinalizou disponibilidade de estoque imediato e capacidade de fornecimento mensal ao Brasil.
 

A ABHH também tem atuado na elaboração e divulgação de recomendações técnicas para orientar médicos diante da escassez, incluindo alternativas terapêuticas em diferentes cenários clínicos.
 

A entidade reforça que a situação exige resposta rápida das autoridades sanitárias, uma vez que envolve risco direto à continuidade de tratamentos e à vida de pacientes.
 

“A garantia de acesso a medicamentos essenciais é um componente central da segurança assistencial. A demora em soluções pode resultar em impactos irreversíveis”, destaca a Associação.
 

A ABHH segue acompanhando o cenário e se coloca à disposição para colaborar tecnicamente com órgãos reguladores e instituições de saúde na busca de soluções emergenciais e estruturais.

Confira a íntegra do documento enviado à ANVISA com alerta para celeridade em um registro extraordinário de produção do medicamento:
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