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sábado, 11 de abril de 2026

Dívida das famílias atinge 49,7% da renda e limita efeito da queda da Selic

Orçamento segue pressionado mesmo com cenário de juros mais baixos



Apesar do início da redução da taxa de juros, o impacto no orçamento dos brasileiros ainda é limitado. Segundo dados do Banco Central do Brasil, em janeiro de 2026, a dívida das famílias atingiu 49,7% da renda acumulada, aproximando-se do recorde histórico de 49,9%, registrado em julho de 2022. Esse movimento evidencia, portanto, uma pressão financeira persistente, observada ao longo dos últimos anos.


Mesmo com a sinalização de queda da Selic, o impacto no orçamento dos brasileiros ainda tende a ser limitado no curto prazo. Isso porque o custo do crédito segue elevado em diversas modalidades, especialmente nas linhas mais utilizadas no dia a dia, como cartão de crédito e crédito pessoal. Na prática, esse cenário faz com que muitos consumidores continuem recorrendo a empréstimos para equilibrar despesas correntes, prolongando ciclos de endividamento e dificultando a reorganização financeira.


Para Rodrigo Mandaliti, presidente do IGEOC (Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança), o momento exige uma mudança de postura. “A queda dos juros é importante, mas não resolve, no curto prazo, o peso das dívidas já contraídas. É fundamental retomar o controle financeiro, priorizar débitos com juros mais altos e buscar renegociações que caibam no orçamento”, afirma.


Segundo o especialista, o setor de cobrança já percebe os reflexos desse cenário na rotina operacional. “Enfrentamos um perfil de devedor mais pressionado e com menor capacidade de negociação. Isso exige abordagens mais estratégicas, que considerem a realidade de cada cliente e ampliem as chances de acordos sustentáveis”, destaca.


Além dos fatores econômicos, o contexto reforça a relevância da educação financeira. O uso do crédito como solução imediata, sem planejamento de longo prazo, continua sendo um dos principais vetores do desequilíbrio financeiro, mesmo em um ambiente de juros em queda.


Na prática, a reorganização passa por medidas simples, como ter clareza sobre os gastos e controlar entradas e saídas para identificar excessos e oportunidades de ajuste. Definir metas, evitar compras impulsivas e manter as contas em dia são atitudes que ajudam a abrir espaço no orçamento e construir uma reserva ao longo do tempo.


Diante desse cenário, a queda da Selic, embora positiva, ainda não é suficiente para reverter a pressão no curto prazo. “A superação passa por uma combinação de reordenação orçamentária, uso consciente do crédito e práticas mais empáticas por parte das empresas, capazes de apoiar o consumidor na retomada do equilíbrio financeiro”, conclui.

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