O Brasil chegou a 79,3 milhões de domicílios particulares permanentes em 2025, um crescimento de 18,9% em relação a 2016, quando eram 66,7 milhões. No mesmo período, os imóveis alugados registraram a maior expansão entre as formas de ocupação, com alta de 54,1%, passando de 12,2 milhões para 18,9 milhões de unidades. Os dados fazem parte da Pnad Contínua: Características dos Domicílios e Moradores, divulgada nesta sexta-feira (17) pelo IBGE.
Os imóveis próprios ainda em pagamento cresceram 31,2%, enquanto os próprios já quitados avançaram 7,3%, indicando mudanças no perfil habitacional do país.
Casas ainda predominam, mas apartamentos crescem mais rápido
As casas seguem como principal tipo de moradia no Brasil, representando 82,7% dos domicílios, o equivalente a 65,6 milhões de unidades. Já os apartamentos somaram 17,1%, ou 13,6 milhões.
Apesar disso, o ritmo de crescimento dos apartamentos foi muito superior ao das casas entre 2016 e 2025: 48,7% contra 14,2%, respectivamente.
Melhorias estruturais nas moradias
A maior parte dos domicílios brasileiros ainda possui cobertura de telha sem laje de concreto, presente em 48,9% das residências (38,8 milhões). Em seguida aparecem:
- Telha com laje de concreto: 32,7%
- Apenas laje de concreto: 15,6%
- Outros materiais: 2,7%
No caso das paredes, 89,7% dos domicílios tinham predominância de alvenaria ou taipa com revestimento, com crescimento de 3% em apenas um ano.
Nos pisos, 82,9% das moradias utilizavam cerâmica, lajota ou pedra em 2025, enquanto pisos de cimento recuaram em todas as regiões do país.
Desigualdade entre áreas urbanas e rurais no saneamento
O levantamento mostra forte contraste entre áreas urbanas e rurais no acesso a serviços básicos.
Água encanada
- Brasil: 86,1% dos domicílios ligados à rede geral
- Área urbana: 93,1%
- Área rural: 31,7%
Esgotamento sanitário
- Brasil: 71,4% dos domicílios ligados à rede coletora
- Área urbana: 79,3%
- Área rural: apenas 8,9%
Regionalmente, o Sudeste lidera com 90,7% de cobertura de esgoto, enquanto o Norte tem apenas 30,6%.
Quase 5 milhões ainda queimam lixo em casa
A coleta direta por serviço de limpeza atende 86,9% dos domicílios brasileiros. Porém, 4,8 milhões de residências ainda utilizam a queima do lixo na propriedade como principal destino dos resíduos.
Nas áreas rurais, essa prática é predominante em 50,2% dos domicílios.
Energia elétrica quase universalizada
O acesso à energia elétrica chegou a 99,8% dos domicílios brasileiros em 2025, mantendo o patamar observado desde 2019. Mesmo nas áreas rurais, a cobertura alcançou 99,3%.
Carro supera moto, mas Norte e Nordeste invertem tendência
A pesquisa também levantou bens duráveis nos domicílios:
- 49,1% possuem carro
- 26,2% possuem motocicleta
- 13,5% possuem ambos
No entanto, Norte e Nordeste apresentam mais domicílios com motos do que com carros.
População envelhece e cresce menos
A população brasileira chegou a 212,7 milhões de pessoas em 2025, aumento de apenas 0,4% em relação a 2024, mantendo tendência de desaceleração iniciada em 2013.
O envelhecimento populacional se intensifica:
- Pessoas com menos de 30 anos caíram de 49,9% (2012) para 41,4% (2025)
- Pessoas com 60 anos ou mais subiram de 11,3% para 16,6%
As regiões Sudeste e Sul concentram a maior proporção de idosos (18,1%), enquanto o Norte tem a população mais jovem.
Mulheres são maioria e vivem mais
As mulheres representam 51,2% da população brasileira, contra 48,8% de homens. Entre pessoas com 65 anos ou mais, há apenas 75,9 homens para cada 100 mulheres, reflexo da maior mortalidade masculina ao longo da vida.
Cresce número de pessoas morando sozinhas
Outro destaque da pesquisa é o aumento dos domicílios com apenas um morador. Em 2012, eles representavam 12,2% do total; em 2025 passaram para 19,7% — alta equivalente a 8,2 milhões de novas unidades.
Entre os que vivem sozinhos:
- 54,9% são homens
- Entre os homens, predomina a faixa de 30 a 59 anos
- Entre as mulheres, a maioria tem 60 anos ou mais
Retrato de um país em transformação
Os dados do IBGE revelam um Brasil em rápida mudança: mais moradias, maior presença do aluguel, crescimento de apartamentos, expansão do número de pessoas vivendo sozinhas e envelhecimento acelerado da população. Ao mesmo tempo, persistem desafios históricos, especialmente nas áreas rurais e nas regiões Norte e Nordeste, onde saneamento e gestão de resíduos ainda apresentam grande defasagem.



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