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terça-feira, 7 de abril de 2026

Número de matrículas na rede pública de ensino cai nos ensinos fundamental e médio

Carlota Boto comenta dados do Censo Escolar de 2025 sobre queda no número de matriculados na rede pública de ensino

Para incentivar que os alunos permaneçam nas escolas, é necessário que os recursos necessários estejam disponíveis aos professores e alunos – Foto: Sumaia Vilela/Agência Brasil


por Gabriel Albuquerque no Jornal da USP


O Censo Escolar de 2025, divulgado pelo Ministério da Educação, revela que o número de matriculados na rede pública passou de 47,09 milhões para 46,02 milhões, uma queda de 1,08 milhão de estudantes, o equivalente a 2,29% do total. A redução abrange desde as creches até o ensino médio, com este último tendo uma perda de aproximadamente 425 mil estudantes, sendo 60% destes alunos do Estado de São Paulo. Carlota Boto, professora da Faculdade de Educação da USP, explica as razões para a queda.

“O número de matrículas caiu em virtude de ter havido uma queda na distorção entre idade e série, com uma diminuição, portanto, da quantidade de alunos com escolarização atrasada e consequente aumento nas taxas de conclusão. Além disso, a mudança demográfica precisa ser considerada. Houve uma redução na população dessa idade de maneira geral no País, resultante de um novo contorno na densidade demográfica.” De acordo com a Fundação Seade, a população em idade escolar no Brasil diminuiu em 15,7% nos últimos 21 anos.

Queda de matrículas e a necessidade de trabalhar

Carlota explica que a queda de matriculados no ensino médio possui relação com o Novo Ensino Médio e os itinerários formativos. “Há, sim, a decisão de iniciar e trabalhar mais cedo; uma procura precoce pelo mercado de trabalho e um consequente abandono dos estudos; porém, é de se questionar até que ponto a Reforma do Ensino Médio não impactou esses índices. No caso do ensino médio, a substituição das disciplinas clássicas de formação por um conjunto pouco rigoroso de itinerários formativos pode ter levado o estudante a deixar de acreditar no mérito da escola, naquilo que a escolarização pode de fato contribuir para ampliar sua realidade, sua visão de mundo.”

Como combater a evasão escolar?

A professora argumenta que, para incentivar que os alunos permaneçam nas escolas, é necessário que os recursos necessários estejam disponíveis aos professores e alunos. “Na semana passada, foi aprovado um projeto de lei do senador Flávio Arns (Podemos) que procura aprimorar as condições do espaço físico da escola, assegurando um número adequado de educandos por turma, mas também garantindo que todas as escolas tenham uma biblioteca, um laboratório de ciências, um laboratório de informática, acesso à internet ou à rede mundial de computadores, quadra poliesportiva coberta, condições de acessibilidade, além daquilo que seria o básico: acesso à energia elétrica, água tratada e esgotamento sanitário. Para que as crianças permaneçam na escola, é preciso que o projeto político pedagógico da instituição possa contemplar condições mínimas de infraestrutura que, aliadas a uma plataforma de formação continuada dos professores, venham a assegurar uma atratividade para essa escola.”

“É preciso considerar os avanços que foram feitos. Em 23 de março, o Governo Federal celebrou a segunda edição do Selo Nacional de Compromisso com a Alfabetização. Trata-se de um  compromisso nacional com a alfabetização de crianças. Em 2025, 66% das crianças brasileiras foram alfabetizadas na idade certa, mostrando o êxito dessa política, com o avanço de dez pontos percentuais em relação a 2023, quando o indicador era de 56%. Ou seja, esses 66% dos estudantes são capazes de ler palavras, frases e textos curtos até o final do 2º ano do ensino fundamental. Evidentemente, há todo um trabalho nos terceiros e quartos anos para que aqueles alunos que não perfizerem a meta venham a conseguir ler com fluência, ainda que com atraso. Mas o fato é que há um conjunto de iniciativas que demonstram que os estudantes estão repetindo menos, havendo menos alunos atrasados. É preciso reconhecer que há um conjunto de políticas que demonstram a prioridade que tem sido dada à educação por parte do Governo Federal”, finaliza a professora. 

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