Já havia visto, no Rio Grande do Norte, pessoas jogando livros no lixo. Inclusive, catadores recolhendo exemplares para levar às filhas. Vi até o descarte de obras de Câmara Cascudo, o maior escritor potiguar e uma das maiores personalidades do estado. Foi assustador.
Agora, nesta semana, vi a notícia do descarte de parte do acervo de uma biblioteca pública na cidade de Osasco, em São Paulo. A Prefeitura alegou contaminação por mofo. Se isso de fato ocorreu, certamente foi consequência de desleixo. Em uma reportagem de TV, uma entrevistada informou que o acervo da biblioteca era formado por doações.
Aqui em Caicó, a Biblioteca Municipal tem 106 anos e também não recebe compras regulares de livros por parte do poder público, à exceção de uma remessa enviada pelo MEC em 2009. Inclusive, fica a sugestão para quem quiser doar A Ilíada e A Odisseia, de Homero, já que a Prefeitura aparentemente não poderá adquiri-las para não causar prejuízo aos blocos de carnaval.
A educação brasileira, construída no improviso, em um país que historicamente pouco valorizou o saber e onde grande parte das casas não possui livros, enfrenta neste século a concorrência feroz da música que se tornou coisa de bandido. Isso torna ainda mais difícil a tarefa do ensino, já que a escola não tem força para competir com a música.
O Governo Federal criou o programa MEC Livros, uma boa iniciativa. Em 2022, Lula, então candidato, prometeu substituir clubes de tiro por livros. Nesta semana, o Governo Federal lançou o novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), válido para o período de 2026 a 2036, que estabelece como meta elevar o percentual de leitores no país de 47% para 55% da população até 2035.
Resta às prefeituras seguir o exemplo do governo federal e priorizar as bibliotecas municipais. Sem livros, não existe cidade: resta apenas o corredor da folia.



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