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| Produção de automóveis e autopeças influenciou crescimento industrial de fevereiro - Foto: AEN-PR |
A produção industrial brasileira registrou crescimento de 0,9% na passagem de janeiro para fevereiro de 2026, marcando o segundo avanço consecutivo do setor e consolidando uma expansão acumulada de 3% no primeiro bimestre do ano. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quarta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar do desempenho positivo no início do ano, a indústria ainda apresenta oscilações no cenário mais amplo. Na comparação com fevereiro de 2025, houve recuo de 0,7% na produção, interrompendo parcialmente o movimento de recuperação observado em janeiro, quando o setor havia avançado 0,2% após três meses consecutivos de queda no fim de 2025.
Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, o resultado recente indica recomposição gradual da atividade industrial. “Enquanto janeiro foi caracterizado pela retomada da produção após um dezembro marcado por férias coletivas e paralisações técnicas, fevereiro se destaca pelo avanço possivelmente associado a um processo de recomposição de estoques em diferentes setores industriais”, explicou.
Crescimento disseminado entre setores
O avanço mensal foi registrado nas quatro grandes categorias econômicas e em 16 dos 25 ramos industriais pesquisados. Entre as atividades com maior influência positiva, destacaram-se:
- veículos automotores, reboques e carrocerias, com alta de 6,6%;
- coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com crescimento de 2,5%.
A indústria automobilística foi impulsionada principalmente pela maior produção de automóveis e autopeças. Com isso, o segmento acumula expansão de 14,1% nos dois primeiros meses de 2026, revertendo a queda de 9,5% registrada no final do ano passado.
Já o setor de derivados do petróleo e biocombustíveis apresentou o terceiro mês consecutivo de crescimento, somando ganho de 9,9% no período, puxado pela produção de derivados de petróleo e álcool etílico.
Quedas em setores específicos
Entre os ramos que registraram retração em fevereiro, o principal impacto negativo veio da indústria de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que recuou 5,5%, intensificando a queda de janeiro (-1,4%). Segundo o IBGE, o resultado está relacionado à elevada base de comparação, após forte crescimento no fim de 2025.
Também contribuíram negativamente os setores de produtos químicos (-1,3%) e metalurgia (-1,7%).
Comparação anual ainda mostra fragilidade
Na comparação com fevereiro do ano anterior, a indústria apresentou queda de 0,7%, com resultados negativos em três das quatro grandes categorias econômicas e em 20 dos 25 ramos pesquisados.
O IBGE aponta dois fatores principais para o desempenho negativo:
- efeito-calendário, já que fevereiro de 2026 teve dois dias úteis a menos que o mesmo mês de 2025;
- base de comparação elevada, pois a produção havia crescido 1,2% em fevereiro do ano passado.
Entre os setores com maior impacto negativo nessa comparação anual estão:
- veículos automotores, reboques e carrocerias (-7,3%);
- produtos químicos (-6,4%);
- máquinas e equipamentos (-11,0%).
A menor produção de caminhões, automóveis, autopeças, fertilizantes, tintas e equipamentos industriais ajudou a pressionar o resultado geral.
Outros segmentos também registraram quedas relevantes, como vestuário e acessórios (-15,1%), produtos de metal (-8,4%), eletrônicos (-9,1%), calçados (-9,9%), móveis (-7,6%) e produtos têxteis (-7,2%).
Setores que sustentaram crescimento anual
Apesar da retração média, algumas atividades apresentaram desempenho positivo na comparação com fevereiro de 2025. As principais contribuições vieram de:
- indústrias extrativas (10,2%), impulsionadas pela produção de petróleo, gás natural e minério de ferro;
- derivados do petróleo e biocombustíveis (4,0%);
- produtos farmoquímicos e farmacêuticos (20,6%), com maior produção de medicamentos.
Também registraram crescimento os setores de bebidas (6,2%) e manutenção e reparação de máquinas e equipamentos (4,7%).
Nível de produção ainda abaixo do pico histórico
Mesmo com a recuperação recente, a produção industrial brasileira permanece 14,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011. Por outro lado, o setor já opera 3,2% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020.
Os indicadores de tendência mostram estabilidade moderada: a média móvel trimestral avançou 0,3% em fevereiro, o acumulado no ano apresenta leve retração de 0,2%, e o resultado em 12 meses aponta crescimento discreto de 0,3%.
O desempenho sugere um início de 2026 mais favorável para a indústria, embora o setor ainda enfrente desafios estruturais e oscilações na demanda e na produção ao longo do ciclo econômico.



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