Pesquisadores do Centro Vaticano para a Cultura Digital publicam obra inédita no Brasil, lançada pela PUCPRESS, com proposta de governança global para a IA
Divulgação_PUCPRESS Encontro com a Inteligência Artificial Investigações Éticas e Antropológicas
Em um momento em que a regulamentação da inteligência artificial ocupa o centro das agendas globais, a PUCPRESS - editora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) -, traz ao Brasil uma obra que reúne o pensamento de filósofos, teólogos e especialistas em ética tecnológica do Grupo de Pesquisa em IA do Centro Vaticano para a Cultura Digital. Com uma abordagem ética e antropológica, o livro contribui para o debate sobre políticas públicas e diretrizes capazes de garantir que as tecnologias emergentes estejam a serviço do progresso humano e da justiça social.
Em Encontro com a Inteligência Artificial: Investigações Éticas e Antropológicas, Jordan Wales, Matthew J. Gaudet, Noreen Herzfeld e Paul Scherz, promovem um debate essencial sobre a governança da IA em um cenário de urgência global - da Lei de IA da União Europeia às controvérsias em torno de modelos como o GPT-4 e o Gemini. O argumento central é uma crítica ao que o Papa Francisco denomina de "paradigma tecnocrático": a lógica que reduz pessoas e o mundo a matéria-prima a ser dominada pela tecnologia. Para os autores, algoritmos não são neutros, mas sim imbricados com interesses políticos e econômicos de quem os controla, com consequências diretas sobre a democracia, o trabalho, a saúde e a educação.
Por isso, os pesquisadores defendem que as decisões sobre a eventual regulamentação da inteligência artificial não podem ser confiadas exclusivamente a representantes de empresas de tecnologia ou a políticos, mas devem ser fundamentadas por uma análise mais ampla de toda sociedade civil. A proposta exposta no livro não é rejeitar a tecnologia, mas reorientá-la. Os autores defendem uma "cultura do encontro" como antídoto ao isolamento gerado pela IA massificada - e propõem que fé e razão, longe de se oporem, podem oferecer uma base moral para o desenvolvimento tecnológico responsável. A obra examina impactos da IA em áreas como educação, saúde, trabalho e política, e propõe recomendações baseadas na Doutrina Social da Igreja, um conjunto de princípios que, segundo os pesquisadores, oferece ferramentas concretas para pensar o bem comum na era dos algoritmos.
O livro mapeia os desafios cruciais impostos pela IA à sociedade contemporânea e analisa conceitos como personalidade, consciência e encontro, discutindo as implicações da IA para a experiência humana e espiritual. “A harmonia entre fé e razão demonstra por que a adoção da ciência e da tecnologia não entra em conflito com a oferta de recomendações morais claras para seu desenvolvimento e aplicação”, explicam os autores.


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