Levantamento mostra que descanso, renda e saúde mental estão entre as principais preocupações dos profissionais sobre jornada de trabalho

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
São Paulo, maio de 2026 - Após aprovação na Câmara dos Deputados, a discussão entre jornada de trabalho, qualidade de vida e estabilidade financeira tem ganhado cada vez mais espaço nas discussões entre os trabalhadores brasileiros. Pesquisa realizada pela meutudo com mais de 18 mil participantes, mostra que fatores como descanso, renda mensal e organização financeira aparecem entre os principais pontos ligados à percepção dos profissionais sobre modelos de trabalho e rotina profissional.
O levantamento, que foi conduzido em três etapas nos canais da meutudo, analisou percepções dos brasileiros sobre rotina profissional, descanso, renda e acesso à informação sobre direitos trabalhistas.
Entre os participantes que trabalham ou já trabalharam na escala 6x1, 51% afirmaram que o pouco tempo para descanso é a principal dificuldade enfrentada nesse modelo de jornada. Em seguida, aparecem fatores como dificuldade de conciliar vida pessoal e trabalho e impactos no bem-estar.
Apesar disso, a renda mensal segue sendo um ponto central no debate sobre mudanças na jornada de trabalho. Segundo a pesquisa, 63% afirmam que manter a mesma renda seria a principal preocupação caso houvesse alteração na escala atual. Além disso, 42% consideram que o salário é o fator mais importante quando o assunto é jornada de trabalho.
Para Marcio Feitoza, CEO da meutudo, os dados mostram que discussões sobre qualidade de vida no trabalho também passam diretamente por segurança financeira e estabilidade de renda. “Existe uma preocupação crescente dos trabalhadores com descanso, saúde mental e qualidade de vida, mas a estabilidade financeira ainda pesa muito nas decisões relacionadas ao trabalho. O desafio está justamente em equilibrar melhores condições de rotina sem comprometer a renda mensal dos profissionais”, afirma.
A pesquisa também revela que o tema tem despertado forte interesse público e ultrapassado discussões do ambiente corporativo, principalmente após o avanço recente do debate no Congresso. Entre os entrevistados, 97% consideram importante debater a jornada de trabalho nas eleições.
O levantamento mostra ainda que o acesso à informação sobre direitos trabalhistas acontece, principalmente, por meios digitais. Entre os participantes, 35% disseram buscar informações sobre direitos trabalhistas nas redes sociais, enquanto 21% afirmam que conteúdos em vídeo ajudam a entender melhor leis e regras relacionadas ao trabalho.
Além disso, 76% afirmam conhecer pelo menos o básico sobre direitos e deveres trabalhistas, indicando um interesse crescente da população por temas ligados ao mercado de trabalho e à qualidade de vida profissional.
“Os dados mostram que questões como saúde mental, organização financeira e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho deixaram de ser pautas secundárias e passaram a influenciar diretamente a relação das pessoas com o emprego. A tendência é que esses debates ganhem ainda mais relevância nos próximos anos, principalmente diante das transformações nas relações de trabalho e das novas expectativas dos profissionais sobre qualidade de vida e bem-estar”, conclui Feitoza.


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