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| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil |
A pequena cidade de Coxixola, no interior da Paraíba, tornou-se alvo de repercussão nacional após a divulgação dos gastos com a festa de emancipação política realizada no fim de abril. O evento custou cerca de R$ 2,5 milhões aos cofres públicos, sendo aproximadamente R$ 1,3 milhão destinados ao cantor Wesley Safadão.
A controvérsia ganhou força diante do contraste entre o investimento no evento e os indicadores socioeconômicos do município. De acordo com dados do IBGE, Coxixola possui uma população de pouco menos de 2 mil habitantes — 1.824 no Censo de 2022, com estimativa de 1.888 pessoas em 2025 . Apesar disso, apenas 284 pessoas estavam ocupadas em empregos formais em 2023, o que evidencia um mercado de trabalho bastante restrito .
Outro dado que chama atenção é a forte dependência da cidade em relação a recursos externos. Segundo o IBGE, cerca de 95,33% das receitas correntes do município são provenientes de transferências, ou seja, verbas vindas de outras esferas de governo . Informações do Portal da Transparência reforçam esse cenário: em 2026, mais de R$ 1,08 milhão foram destinados diretamente a benefícios aos cidadãos na localidade, dentro de um volume significativo de recursos federais aplicados.
Os programas de transferência de renda também têm peso relevante na economia local. Até o momento, 379 beneficiários do Bolsa Família em Coxixola receberam, juntos, R$ 730.828,00 valor que ajuda a sustentar parte expressiva das famílias do município.
Diante da repercussão, Wesley Safadão afirmou que não tem responsabilidade sobre a origem dos recursos públicos utilizados na contratação de seus shows, destacando que sua atuação se limita ao cumprimento de contratos firmados com prefeituras. Considera-se um artista mas não possui qualquer sensibilidade para com o país...
O caso reacende o debate sobre prioridades na gestão de recursos públicos, especialmente em municípios de pequeno porte e alta dependência financeira, onde gastos elevados com eventos festivos contrastam com indicadores sociais e econômicos ainda frágeis. Os prefeitos do Brasil querem ser produtores de eventos... E a promessa de fortalecimento da economia é mera fábula, aliás a economia que cresce é a do Safadão.



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