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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Desenrola 2.0 promete alívio rápido, mas Selic alta pode limitar queda da inadimplência

"A queda no número de inadimplentes só será sustentável se houver educação financeira, controle na concessão de crédito e crescimento real da renda. Caso contrário, o país pode apenas adiar o problema e criar uma nova rodada de endividamento mais à frente", Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.




“O Desenrola 2.0 deve ser analisado como uma tentativa de reorganizar a relação entre renda, dívida e consumo no Brasil. A redução da inadimplência pode melhorar o humor do mercado porque diminui a quantidade de famílias e empresas fora do sistema financeiro, mas o efeito mais relevante está na recuperação da previsibilidade. Quando o devedor consegue trocar uma dívida vencida, cara e desorganizada por uma obrigação com desconto, prazo maior e parcela mais compatível com sua renda, a economia ganha algum fôlego. Isso pode favorecer consumo, renegociação com fornecedores, acesso a crédito e planejamento financeiro. Ainda assim, o programa não resolve sozinho o problema do endividamento. A queda no número de inadimplentes só será sustentável se houver educação financeira, controle na concessão de crédito e crescimento real da renda. Caso contrário, o país pode apenas adiar o problema e criar uma nova rodada de endividamento mais à frente”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.


 “O Novo Desenrola Brasil chega em um momento bastante relevante, com a inadimplência do país em 5,3% em março de 2026 e mais de 80% das famílias brasileiras endividadas, e o programa tem potencial real de aliviar esse quadro no curto prazo, especialmente porque oferece descontos de até 90% nas dívidas, juros de no máximo 1,99% ao mês e até 48 meses de prazo para quem tem renda de até 5 salários mínimos, cerca de R$ 8.105. A experiência do Desenrola anterior, que beneficiou cerca de 15 milhões de brasileiros e renegociou R$ 53 bilhões em dívidas desde 2023, já deixou uma lição importante: o programa funciona muito bem como instrumento de alívio pontual sobre o estoque de dívidas antigas, mas o impacto sobre a inadimplência tende a ser mais expressivo no curto prazo do que no médio, porque ele não altera necessariamente a dinâmica de formação de novas dívidas. Para a economia, a limpeza do nome de milhões de brasileiros abre acesso ao crédito e pode estimular o consumo, o que é construtivo para a atividade, mas o efeito sustentável depende do avanço do ciclo de cortes de juros, porque com a Selic em 14,50% ao ano o crédito ainda é caro e parte de quem renegociar corre o risco de voltar a se endividar em condições desfavoráveis. Para o mercado financeiro, o sinal é positivo porque reduz o risco de inadimplência no sistema e melhora a qualidade das carteiras de crédito, mas a consolidação desse resultado passa obrigatoriamente por educação financeira e pela redução estrutural do custo do dinheiro no Brasil”, André Matos, CEO da MA7 Negócios.


“O Desenrola 2.0 deve reduzir a inadimplência no curto prazo principalmente por meio de renegociações com grandes descontos, o que permite aos bancos limpar dívidas antigas dos balanços e reativar parte desses consumidores, mas sem necessariamente melhorar de forma duradoura a capacidade de pagamento das famílias. Na prática, o número de negativados pode cair de forma relevante, porém com baixa persistência se renda e juros não ajudarem, o que limita um impacto mais forte sobre consumo e reduz a chance de qualquer influência relevante na trajetória da política monetária. Para o mercado, o efeito é mais de organização do que de expansão: há algum ganho na concessão de crédito de varejo no início, mas sem mudança estrutural nos juros ou no apetite a risco, mantendo a seletividade elevada, sobretudo em perfis mais frágeis, enquanto no crédito estruturado o impacto tende a ser marginalmente positivo pela redução de perdas extremas”, Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos.


“A inadimplência elevada reduz a confiança, encarece o crédito e prende parte da economia em dívidas que deixaram de gerar circulação financeira. Nesse contexto, o Desenrola 2.0 pode ajudar a transformar passivos vencidos em compromissos mais compatíveis com a renda das famílias e o caixa das empresas. Quando uma dívida é renegociada com desconto, prazo adequado e custo menor, ela deixa de ser um problema parado no balanço e volta a ter chance real de pagamento. Isso melhora a vida financeira dos devedores, dá fôlego a pequenos negócios e reduz perdas potenciais para bancos, varejistas e empresas credoras. Para o mercado, a queda da inadimplência pode ampliar a confiança na concessão de crédito, melhorar a previsibilidade das carteiras e favorecer uma retomada gradual do consumo. A economia tende a reagir com algum ganho de liquidez e melhora da circulação de capital, desde que a renegociação venha acompanhada de análise de risco, educação financeira e responsabilidade na concessão de novos créditos”, Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.


“O Desenrola 2.0 pode reduzir o número de inadimplentes no curto prazo porque atua diretamente no principal entrave de milhões de consumidores e empreendedores: a restrição de crédito. Quando uma pessoa ou uma pequena empresa limpa o nome, ela volta a ter acesso ao sistema financeiro, consegue renegociar fornecedores, reorganizar caixa e retomar decisões de consumo ou investimento. Isso tende a gerar um efeito positivo sobre o ambiente de negócios, especialmente para empresas de varejo, serviços, tecnologia e crédito. Mas o mercado deve olhar para esse movimento com pragmatismo. A queda da inadimplência por renegociação não significa, automaticamente, aumento de produtividade ou melhora estrutural da renda. O efeito mais importante será a reativação de parte da base consumidora e empresarial que estava travada”, João Kepler, CEO da Equity Group.


“A possível redução da inadimplência com o Desenrola 2.0 pode ter efeito relevante sobre o mercado de capitais, principalmente porque melhora a percepção de risco em um país onde o endividamento das famílias pesa sobre consumo, crédito e formação de poupança. Quando o consumidor renegocia dívidas e recupera acesso ao sistema financeiro, parte da renda antes comprometida com atraso, multa e juros pode voltar a circular na economia. Isso favorece empresas listadas ligadas ao consumo, melhora a leitura de risco de crédito e pode, no médio prazo, fortalecer a base de investidores pessoa física. Mas o programa não substitui educação financeira. Para que a queda da inadimplência seja sustentável, o consumidor precisa sair da renegociação com uma estrutura de pagamento compatível com sua renda e com mais clareza sobre orçamento, crédito e investimento” , Fábio Murad, Sócio e Fundador da Ipê Avaliações.

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