Infectologista explica formas de transmissão, sintomas e cuidados preventivos, além de reforçar que o risco para a população geral é considerado baixo pelas autoridades de saúde
Após a confirmação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que a cepa de hantavírus identificada em um passageiro retirado de um navio de cruzeiro é a variante andina, a única conhecida com potencial de transmissão entre humanos, o tema passou a gerar preocupação e dúvidas sobre os riscos da doença. Apesar da repercussão, autoridades de saúde e especialistas reforçam que não há motivo para pânico: o hantavírus é considerado raro, tem transmissão geralmente associada ao contato com urina, fezes e saliva de roedores infectados e, até o momento, o risco para a população em geral segue baixo, segundo a OMS.
Segundo o Dr. Evaldo Stanislau, médico infectologista e professor na Universidade São Judas / Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, a principal mensagem neste momento é de cautela sem alarmismo. “O hantavírus é uma doença já conhecida, mas bastante incomum e geralmente associada a ambientes rurais, onde há maior contato com roedores. A excepcionalidade desse caso é justamente o contexto de um ambiente confinado, como um navio, e a suspeita de uma transmissão entre pessoas, algo considerado raro”, explica.
A OMS informou que a cepa identificada no surto é a variante Andes, encontrada principalmente na Argentina e no Chile. Trata-se da única variante conhecida com registros de transmissão entre humanos, embora isso ocorra apenas em situações muito específicas, envolvendo contato próximo e prolongado.
Quais são os sintomas?
Os sintomas iniciais podem se parecer com os de diversas infecções virais comuns, o que exige atenção ao contexto epidemiológico do paciente.
“Na maioria das vezes, a doença começa com febre, mal-estar, dores no corpo e sintomas inespecíficos. Em uma parcela menor dos casos, pode evoluir para quadros graves, com falta de ar importante, insuficiência respiratória e necessidade de internação intensiva”, afirma o infectologista.
De acordo com a OMS, os sintomas costumam aparecer entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus. O especialista destaca que fatores como contato frequente com áreas rurais, celeiros, depósitos fechados ou ambientes com presença de roedores ajudam os médicos a levantar a suspeita da doença.
Há risco de uma nova pandemia?
Para o professor, este é justamente o ponto que mais tem gerado desinformação nas redes sociais.
“As pessoas naturalmente ficaram mais assustadas após a pandemia de Covid-19, mas é importante reforçar que estamos falando de uma doença rara e de transmissão muito limitada. O próprio posicionamento da OMS é de que o risco global segue baixo”, afirma.
A entidade internacional reforçou que a transmissão entre humanos associada à variante Andes é incomum e exige contato muito próximo entre as pessoas infectadas. Dr. Evaldo também lembra que o hantavírus não é uma doença nova.
“Eu atuo na medicina há quase 40 anos e nunca vi pessoalmente um caso de hantavirose. Muitos colegas infectologistas também não. Isso mostra o quanto ela é incomum na prática clínica”, comenta.
6 dicas para prevenção ao Hantavírus
As principais medidas de prevenção envolvem evitar contato com roedores e manter cuidados básicos de saúde e higiene. Entre as recomendações estão:
- Evitar contato com fezes, urina e saliva de roedores
- Manter ambientes limpos e ventilados
- Redobrar os cuidados ao limpar locais fechados por muito tempo
- Utilizar proteção ao manusear áreas possivelmente contaminadas
- Manter vacinas em dia e atenção à saúde antes de viagens
- Evitar viajar com sintomas infecciosos
“Em qualquer ambiente aglomerado e fechado, há maior risco de transmissão de doenças infecciosas. Mas isso vale muito mais para gripe, Covid-19 e outros vírus respiratórios do que para o hantavírus”, ressalta o especialista.
Até o momento, autoridades internacionais seguem investigando o episódio registrado no cruzeiro e monitorando possíveis contatos dos passageiros infectados. A OMS mantém a avaliação de que o evento é localizado e sem evidências de risco elevado de disseminação global.


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