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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Nova fase do Desenrola 2.0: entenda em quais casos o programa pode ajudar brasileiros quitarem suas dívidas

Para Renan Diego, consultor financeiro, o programa auxilia devedores, mas o planejamento financeiro é essencial para sair do ciclo vicioso 




A nova versão do programa Desenrola Brasil, criado para renegociação de dívidas, foi lançado nesta segunda-feira (4), pelo governo federal. Focado em auxiliar brasileiros que ganham até cinco salários mínimos e que estejam com as contas atrasadas entre 90 dias e dois anos, na atualização, os endividados poderão renegociar o cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e Fies adquiridos até 31 de janeiro deste ano. Para o consultor financeiro Renan Diego, é uma boa oportunidade para os trabalhadores que buscam se organizar, porém, o planejamento financeiro se torna ainda mais essencial.
 

“O programa Desenrola é positivo, já que permite que pessoas endividadas renegociem suas dívidas com melhores condições, o que reduz a inadimplência no curto prazo e libera parte da renda para o consumo, o que ajuda a aquecer a atividade econômica do país. Mas, é importante lembrar que o programa pode não valer a pena se o pagamento da negociação comprometer despesas essenciais, como moradia e alimentação, ou se a dívida já estiver próxima de prescrever e deixar de impactar tanto o nome do devedor. Além disso, sem organização financeira, a pessoa pode quitar a dívida com desconto e acabar se endividando novamente, anulando o benefício obtido", alerta Renan.
 

Na atualização do Desenrola, os descontos podem variar de 30% a 90%, com o beneficiário podendo utilizar até 20% do fundo de garantia para quitar as dívidas de até R$ 15 mil por pessoa. Já em relação aos juros, estima-se que serão de, no máximo, 1,99% ao mês e poderão ser pagos em até quatro anos. Ainda de acordo com o governo federal, para entrar no programa, os trabalhadores deverão procurar os canais oficiais de instituições financeiras.
 

“Um desconto médio de 65% pode ajudar, mas não garante, por si só, que a dívida se torne realmente pagável. Tudo depende do valor final após o desconto, das condições de pagamento, como juros, número de parcelas e, principalmente, da renda da pessoa. Em muitos casos, essa redução torna a dívida bem mais acessível e aumenta as chances de quitação, mas, se as parcelas ainda ficarem altas ou comprometerem despesas essenciais, pode continuar inviável. Ou seja, o desconto é um fator importante, mas a dívida só se torna de fato “pagável” quando as condições cabem no orçamento mensal de forma sustentável", revela o consultor.
 

Ainda de acordo com Renan, o desconto alto nem sempre compensa quando as novas condições da dívida ainda são desfavoráveis ou incompatíveis com a realidade financeira da pessoa, como em casos de parcelas que continuam altas, prazos muito longos que aumentam o valor total pago ou presença de juros elevados.
 

“Os juros de 1,99% são mais baixos do que os praticados em dívidas comuns no Brasil, como cartão de crédito e cheque especial, então nesse sentido são competitivos dentro de um programa de renegociação. Por outro lado, ainda são elevados quando comparados a linhas de crédito mais baratas, como financiamento imobiliário ou algumas modalidades de crédito consignado. Dessa forma, a taxa pode ser considerada razoável para quem já está endividado e precisa reorganizar a situação, mas, ao longo do tempo, os juros acumulados podem aumentar bastante o valor final pago, especialmente em prazos longos", afirma.
 

Entre outros pontos levantados pelo governo federal em relação às atualizações do programa Desenrola Brasil, está o bloqueio de beneficiários nas plataformas de apostas online, também conhecidas como bets, por um ano. A decisão, que já havia sido levantada por Lula no seu pronunciamento em celebração ao Dia do Trabalhador, visa não comprometer o processo de quitação dos endividamentos.
 

“O bloqueio de apostas por um ano pode ajudar no controle financeiro principalmente como uma medida de proteção imediata, já que reduz o acesso a um comportamento que pode agravar o endividamento e desorganizar o orçamento. Ou seja, cria uma barreira prática que ajuda a interromper gastos impulsivos e dá tempo para a pessoa reorganizar suas finanças", afirma Diego.
 

A decisão do governo federal em estimular a renegociação de dívidas, ocorre em um momento de juros elevados e de alto endividamento. Isso porque, segundo o Banco Central, o país registrou um novo aumento de dívidas das famílias, chegando à marca de 48,8% em fevereiro. É o maior patamar do indicador, que foi iniciado em 2025.
 

“Um prazo de até quatro anos pode ajudar ao reduzir o valor das parcelas e tornar a dívida mais acessível no curto prazo, dando alívio financeiro imediato ao consumidor. Entretanto, também pode prolongar o problema, já que mantém a pessoa endividada por mais tempo e pode aumentar o custo total pago com juros. Assim, ele é útil para organizar o orçamento, mas só é realmente vantajoso se houver planejamento para evitar que a dívida se arraste ou volte a crescer", finaliza Renan Diego.

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