Antes da modernização do Nordeste, a região não conseguia lidar com a longa estiagem, algo comum em seu clima semiárido. Marcada pelo isolamento, desenvolveu a melhor dieta do Brasil, mas sucumbia ao clima e via toda a sua produção sumir. Havia fome e fuga.
A seca de 2012 consolidou o fim dos velhos problemas com a chamada "seca": a estiagem de sete anos não causou desabastecimento. Isso foi fruto de um processo secular de açudagem, construção de estradas e integração à economia nacional.
No meio disso tudo, existia a chamada "indústria da seca", na qual os governos priorizavam obras de socorro em vez de ações de convivência com o semiárido. As emergências eram marcadas por obras inúteis, frentes de trabalho e distribuição de cestas básicas. Esse modelo foi superado pela eficiência do Bolsa Família.
Na seca de 1993, a cesta básica distribuída pelo governo de José Agripino Maia ficou marcada pelo lendário feijão preto que não cozinhava nem num forno industrial de tão duro. Vinha acompanhado da carne de jabá, que, segundo boatos, era carne de jumentos capturados à beira das estradas.
O feijão preto de Zé Agripino entrou no imaginário local. O poeta seu Marcelino da Inês Velha chamou-o de "fuscão preto" ao qual compôs os seguintes versos:
Quem foi mordido de cobra
Tem medo até de um cordão
Quem namorou moça donzela
Tem medo até da sombra dela
E quem comeu o fuscão preto
Tem medo até da panela.



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