Documento elaborado pela Fundação IDH e Sebrae-RN propõe estratégia de longo prazo voltada à energia renovável, agricultura sustentável, recuperação da Caatinga e fortalecimento das cadeias produtivas do semiárido potiguar.
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| Governo do RN recebe Plano Estrategico de Crescimento Verde foto Joana LIma |
O Rio Grande do Norte começou a estruturar oficialmente uma estratégia de longo prazo para tentar consolidar o estado como um dos principais polos brasileiros de economia verde. A governadora Fátima Bezerra recebeu nesta semana o Plano Estratégico de Crescimento Verde, documento elaborado pela Fundação IDH em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte.
A proposta reúne diretrizes voltadas para desenvolvimento econômico aliado à sustentabilidade ambiental e inclusão social, buscando integrar setores estratégicos da economia potiguar, como energia renovável, agricultura familiar, recuperação ambiental da Caatinga, gestão hídrica e fortalecimento de cadeias produtivas tradicionais do semiárido.
O plano foi construído a partir de oficinas, entrevistas e consultas envolvendo universidades, representantes do setor produtivo, organizações sociais e gestores públicos. A intenção é que o documento funcione como uma referência técnica para orientar políticas públicas, investimentos e decisões administrativas de longo prazo no estado.
Segundo a governadora Fátima Bezerra, a iniciativa dialoga diretamente com programas já desenvolvidos pelo governo estadual, especialmente nas áreas de agricultura familiar, inclusão produtiva e desenvolvimento regional. Ela afirmou que o plano procura alinhar o potencial econômico do Rio Grande do Norte com os desafios estruturais ainda enfrentados pelo estado, principalmente em regiões do semiárido.
Um dos principais eixos do documento é a transição energética. O Rio Grande do Norte já ocupa posição de destaque nacional na geração de energia eólica e busca ampliar sua participação também nos setores de energia solar e hidrogênio verde. A proposta prevê que a expansão dessas atividades seja acompanhada por geração de empregos, qualificação profissional e distribuição de renda, sobretudo em territórios rurais e comunidades tradicionais.
Além da energia renovável, o estudo aponta atividades consideradas estratégicas para o crescimento sustentável potiguar. Entre elas está a fruticultura irrigada, especialmente a produção de melão, segmento no qual o estado responde por cerca de 70% da produção nacional. Regiões como Mossoró, Vale do Açu e Apodi aparecem como áreas centrais desse modelo produtivo. O plano propõe ampliar a competitividade do setor com maior eficiência no uso da água e adoção de práticas ambientais sustentáveis.
Outro eixo envolve a retomada da tradição algodoeira do estado, agora associada ao algodão agroecológico e à chamada moda sustentável. A ideia é incentivar sistemas produtivos com menor uso de defensivos químicos, fortalecendo a agricultura familiar e conectando produtores locais a mercados consumidores voltados para produtos sustentáveis.
A estratégia também contempla o fortalecimento da pesca e da carcinicultura sustentável, valorização dos queijos artesanais potiguares, expansão da caprinocultura e ovinocultura, incentivo à piscicultura e recuperação de áreas degradadas da Caatinga.
De acordo com a Fundação IDH, o conceito central do projeto está baseado no modelo PPI — Produção, Proteção e Inclusão — que busca equilibrar crescimento econômico, conservação ambiental e desenvolvimento social. A proposta pretende criar um ambiente favorável para atração de investimentos sustentáveis e geração de oportunidades econômicas no interior do estado, especialmente em áreas historicamente marcadas por desigualdades sociais e limitações climáticas.
A entrega do plano ocorre em um momento em que estados nordestinos intensificam disputas por investimentos ligados à economia verde, sobretudo nas áreas de energias renováveis e hidrogênio verde. O governo potiguar aposta na combinação entre potencial energético, recursos naturais e fortalecimento das cadeias produtivas locais para ampliar a participação do estado na nova economia de baixo carbono.



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