Sudene acompanha avanço de projeto que transforma farelo de palma em alternativa para a pecuária no Semiárido
A comitiva realizou visita à área experimental, parte do cultivo, com 1,5 hectare, que está em fase de crescimento, com pouco mais de três meses após o plantio. Foto: Agnelo Câmara
Campina Grande (PB) — Em um cenário marcado pela irregularidade das chuvas e pela consequente pressão sobre a oferta de alimentos para os rebanhos, a pecuária praticada no Semiárido tem exigido soluções produtivas cada vez mais adaptadas. Nesse contexto, iniciativas que integram o Inova Palma — estratégia voltada à valorização da palma forrageira como ativo econômico e tecnológico da Região — estiveram na pauta da visita técnica realizada pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) ao Instituto Nacional do Semiárido (INSA), parceiro no desenvolvimento dessas alternativas.
Uma das atividades concentrou-se no acompanhamento de um projeto que transforma a palma forrageira em farelo, ampliando sua durabilidade, viabilidade logística e potencial de uso na pecuária regional. A ação aposta na produção de farelo de palma com maior durabilidade e valor nutricional. O objetivo é consolidar o insumo como uma commodity vegetal estratégica para o desenvolvimento socioeconômico do Semiárido, incentivando sua produção, processamento e comercialização.
Segundo a pesquisa, além de reduzir perdas e facilitar o transporte, o farelo pode substituir insumos tradicionais, como o milho e a soja na alimentação animal, reduzindo custos e aumentando a estabilidade da produção. A iniciativa também reforça o uso de espécies adaptadas ao semiárido, o que contribui para uma pecuária mais sustentável.
Para o diretor de Planejamento da Sudene, Álvaro Ribeiro, a iniciativa é um exemplo de sucesso da ação da Sudene na identificação de potenciais típicos da Região que permitam mais desenvolvimento sustentável e geração de renda. “Esta é uma solução construída a partir das condições reais do semiárido. A palma passa a ser também uma alternativa com potencial de gerar renda, estimular o empreendedorismo rural e ampliar a autonomia dos produtores, especialmente da agricultura familiar”, afirmou.
Durante a agenda, a comitiva verificou o estágio inicial da área experimental. Parte do cultivo, com 1,5 hectare, está em fase de crescimento, com pouco mais de três meses após o plantio. As etapas iniciais, como preparo do solo, adubação e manejo, foram concluídas, e o projeto segue conforme o planejamento.
O engenheiro agrônomo e coordenador-geral de Inovação e Transformação Digital da Diretoria de Planejamento da Sudene, Aildo Sabino destacou que o foco está na construção de um processo completo envolvendo desenvolvimento tecnológico e análise econômica. “A ideia é fechar esta equação de produção do farelo, desde o plantio, mas também toda a questão relacionada aos processos de secagem, armazenamento e produção do farelo. Então isso vai ser mais uma alternativa para o produtor utilizar a palma como um insumo, não mais apenas para alimentação animal, mas como um produto que pode ser exportado. Porque, na produção do farelo, estando seco, o peso diminui e isso possibilita um menor custo na logística”, explicou.
Pelo INSA, a tecnologista da área de produção vegetal e coordenadora do projeto, Jucilene Araújo, ressaltou o caráter inovador da proposta. “A palma é uma forragem estratégica para o produtor no semiárido. A oportunidade de desenvolver projetos como esse se torna um passo importante para levar ao homem do campo resultados de pesquisa para uma atividade que ele já pratica e que pode ter maior potencial para geração de renda”, destacou a pesquisadora. O projeto tem encerramento previsto para 2027, consolidando protocolos técnicos para produção em escala da palma forrageira. O investimento da Sudene é de R$ 3,2 milhões.
Nutrição da palma
Outro projeto, também vinculado ao Inova Palma, acompanhado durante a agenda trata do manejo nutricional da palma forrageira, com foco na definição de recomendações de adubação adaptadas às condições do semiárido. Desenvolvida desde 2021, a pesquisa busca enfrentar uma das principais limitações para a expansão da cultura em larga escala, que consiste na indicação de parâmetros técnicos consolidados sobre fertilidade do solo e reposição de nutrientes para o vegetal. Dessa maneira, a iniciativa busca reduzir desperdícios e oferecer mais segurança técnica aos produtores que investem na palma forrageira como alternativa estratégica para a pecuária.
A partir de análises de solo e da sistematização de dados obtidos em campo, os pesquisadores desenvolveram curvas de resposta à aplicação de nitrogênio e potássio. O trabalho, que recebeu quase R$ 720 mil em investimentos pela Sudene, permitiu a elaboração de tabelas de recomendação baseadas tanto na fertilidade do solo quanto nas necessidades nutricionais da planta. A expectativa é que os resultados finais sejam concluídos até o fim deste ano.


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