O atual surto de Ebola que atinge a República Democrática do Congo e Uganda já é considerado o segundo maior da história da doença, segundo o diretor-geral do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), Jean Kaseya. O alerta foi feito durante uma coletiva online realizada nesta semana.
“A dimensão deste surto de Ebola é considerável. Trata-se do segundo maior do mundo”, afirmou Kaseya, ao comparar a atual crise sanitária com a devastadora epidemia da África Ocidental entre 2014 e 2015, que deixou milhares de mortos.
As autoridades africanas demonstram preocupação especial porque o surto envolve uma cepa do vírus para a qual ainda não existe vacina nem medicamento específico aprovado. Segundo Kaseya, a necessidade de resposta rápida é fundamental para evitar um agravamento ainda maior da epidemia.
“É preciso agir muito rapidamente, especialmente porque não há vacina nem medicamento contra essa cepa”, ressaltou o diretor do Africa CDC.
Dados preliminares divulgados pelo órgão apontam que, desde o início da epidemia, foram registradas 178 mortes e 745 novos casos suspeitos nos dois países. Até o momento, exames laboratoriais confirmaram 85 casos e nove mortes associadas ao vírus.
O Africa CDC informou ainda que os custos para conter a disseminação da doença já alcançam níveis elevados. Atualmente, seriam necessários cerca de US$ 319 milhões — aproximadamente R$ 1,6 bilhão — para financiar ações de prevenção, monitoramento, atendimento médico e controle epidemiológico. Segundo o organismo, o valor pode aumentar caso o avanço do vírus continue acelerado.
A situação é agravada pelas dificuldades estruturais enfrentadas principalmente na República Democrática do Congo, país marcado por conflitos armados, fragilidade hospitalar e dificuldades de acesso a regiões isoladas. Em áreas afetadas, equipes de saúde enfrentam resistência de parte da população, além de ataques a unidades médicas e dificuldades no rastreamento de contatos de pessoas infectadas.
O Ebola é uma doença viral altamente letal, transmitida pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas contaminadas ou cadáveres infectados. Os sintomas incluem febre alta, vômitos, dores musculares, diarreia e hemorragias em casos mais graves.
Especialistas internacionais acompanham a evolução do surto com preocupação diante do risco de disseminação regional e internacional, especialmente em zonas de fronteira entre Congo e Uganda.



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