No Mês do Meio Ambiente, especialista da UniCesumar reforça que o impacto de chuvas e secas extremas exige modernização da infraestrutura de drenagem e diversificação dos transportes como questões de sobrevivência humana e econômica
As recentes tempestades e a persistência da seca, que atingiu 49% do território nacional e deixou mais de 3,5 mil municípios brasileiros em alerta no início de 2026, evidenciaram as falhas estruturais na infraestrutura do país. No Mês do Meio Ambiente, a discussão sobre sustentabilidade sai do campo teórico e passa a exigir medidas práticas: o investimento urgente em saneamento básico e em transportes menos poluentes é a única medida viável para proteger vidas, evitar tragédias e garantir que não falte comida e produtos essenciais no comércio.
"Por muito tempo, a infraestrutura sustentável foi tratada como um discurso verde, mas os eventos climáticos atuais provam que essa adequação é, na prática, uma questão de sobrevivência. Grandes eventos globais já mostram a viabilidade dessa mudança estrutural. As Olimpíadas de Paris, por exemplo, utilizam 95% de estruturas já existentes ou temporárias, enquanto a Copa do Catar construiu o primeiro estádio 100% desmontável com contêineres e aço reciclado. É o tipo de adequação estrutural que o momento exige", afirma Renata Chatalov, professora do curso de Gestão Ambiental EAD da UniCesumar.
Para a especialista, a vulnerabilidade das cidades e rodovias brasileiras é resultado de um modelo de planejamento que priorizou a impermeabilização do solo, a ocupação de áreas de risco e a supressão de vegetação nativa. Esses fatores, somados a sistemas de drenagem subdimensionados, agravam desastres como alagamentos e deslizamentos.
Saneamento básico como contenção de desastres
Frequentemente associado apenas à saúde pública em tempos de normalidade climática, o déficit de saneamento atua como um multiplicador de tragédias durante chuvas extremas. Em áreas com infraestrutura precária, a água da chuva mistura-se ao esgoto a céu aberto e ao lixo acumulado. O resultado é a inundação de residências e vias públicas com água contaminada, transformando o impacto das chuvas em um desastre humanitário e sanitário com a rápida propagação de doenças.
"Se o Brasil precisasse focar em uma única ação imediata no saneamento para mitigar o impacto das próximas tempestades, o investimento mais urgente seria a ampliação e modernização da infraestrutura de drenagem urbana e do manejo de águas pluviais. Na prática, significa substituir sistemas insuficientes por estruturas modernas, preparando a cidade para escoar a água mais rápido e devolvê-la ao meio ambiente com segurança", explica Chatalov.
Logística verde contra o desabastecimento
O cenário de risco se estende à economia e ao abastecimento do país, já que a alta dependência do modal rodoviário expõe o Brasil a bloqueios constantes causados por enchentes e deslizamentos de terra. Além de concentrar as emissões de carbono, esse modelo coloca em risco a distribuição de alimentos e insumos básicos.
“A transição para uma "logística verde" baseia-se na diversificação da matriz de transportes. Ao descentralizar a carga das rodovias e focar em modais mais eficientes e menos suscetíveis a bloqueios climáticos, o país aumenta sua resiliência contra o desabastecimento. O adiamento dessas adaptações tem um impacto financeiro direto. Economicamente falando, os dados mostram que o custo de não investir hoje em saneamento e em uma infraestrutura de transporte verde será consideravelmente maior do que o custo de reconstruir cidades inteiras destruídas no futuro", conclui a especialista da UniCesumar.


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