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terça-feira, 30 de junho de 2026

Finalista do Prêmio Kindle, romance de Bruno Crispim investiga amor, memória e masculinidade diante da morte

Publicado pela editora Faria e Silva, 'da morte sua' acompanha um homem que atravessa os primeiros dias sem a companheira enquanto reconstrói, pela memória, a história de amor que sustentou sua vida.

da morte sua
Editora Faria e Silva


Finalista do Prêmio Kindle de Literatura, o romance da morte sua, de Bruno Crispim, publicado pela editora Faria e Silva, apresenta uma narrativa intensa sobre luto, amor, memória e relações familiares. A obra acompanha Igor, um homem que tenta atravessar a morte devastadora de sua companheira, Bibi, enquanto enfrenta o funeral, o hospital, os primeiros dias como pai solo e a impossibilidade emocional de se despedir.

Construído em uma estrutura não linear, o livro reproduz o próprio funcionamento do luto: o presente é constantemente atravessado por lembranças, imagens e afetos que levam o protagonista ao início do relacionamento, ainda na adolescência, quando ele e a esposa descobrem uma conexão profunda entre jogos de futebol, convivência cotidiana e a formação de um amor que se tornou eixo de suas vidas.

A obra levou sete anos e uma dúzia de reescritas até chegar à versão final. Segundo Bruno Crispim, a origem do romance está em uma frase dita por sua esposa, em uma noite de vinho: “Você só vai fazer sucesso quando escrever sobre a minha morte.” A declaração, feita a partir da preocupação dela sobre como ele suportaria a vida diante de uma perda irreparável, tornou-se o ponto de partida de uma escrita marcada por medo, dor e enfrentamento.

“Insisti nessa história porque não consegui não escrevê-la”, afirma o autor. “A morte da minha esposa é um dos meus medos mais íntimos, mais densos. Comecei a namorar a minha esposa quando tinha 16 anos, e este ano fazemos 26 anos juntos. A ideia de perdê-la sempre foi assustadora.”

Além de tratar da ausência, da morte sua discute a dificuldade masculina de lidar com a dor. Educado para manter “as lágrimas cativas”, o protagonista carrega a ideia de que homens não devem chorar nem demonstrar fragilidade. Para Crispim, essa repressão emocional torna o processo de luto ainda mais doloroso. “A frase ‘um homem não chora’ sempre esteve muito próxima de mim. Todos os homens da minha geração, e os das anteriores ainda mais, cresceram com isso”, reflete. “A gente quer evitar a dor, mas a dor é inerente à existência.”

Mestre em Escrita Criativa pela PUC-RS, Bruno Crispim já estava na sétima reescrita do romance quando iniciou o curso. As aulas de Teoria Literária, Filosofia e Literatura, além das trocas com professores e colegas escritores, contribuíram para o amadurecimento estético da obra, que também contou com consultoria de médicos para garantir maior realismo ao drama narrado.

No campo literário, o autor aponta Hilda Hilst e Vinicius de Moraes como influências fundamentais. De Hilda, veio a liberdade de romper a linguagem diante da dor. De Vinicius, a força da emoção organizada pela forma. “Foi nessa tensão que a voz do livro se encontrou”, comenta.

Para Bruno Crispim, o romance é também um convite à empatia diante da dor alheia. “Minha expectativa com essa obra é que as pessoas enxerguem a pluralidade e a fluidez da vida de quem está ao seu lado. E que se imaginem no lugar daquela pessoa, fazendo escolhas que talvez fossem diferentes das suas. Na melhor das hipóteses, gostaria de suspender por um minuto o julgamento automático que fazemos de alguém que atravessa uma circunstância delicada, alguém que talvez precise menos de condenação e mais de ajuda. É esse o caminho que eu gostaria que meus leitores seguissem. Ou que qualquer pessoa seguisse, independentemente de me ler ou não. De quebra, deixaríamos de acreditar em saídas fáceis para problemas complexos, uma crença perigosa que já nos carregou para direções desastrosas”, finaliza o autor.  

O autor

Bruno Crispim Nasceu em Niterói, em 1984. É escritor, professor e mestre em Escrita Criativa pela PUC-RS. Autor de Kaito: reze por uma boa morte (Alta Novel), fantasia urbana eleita Livro do Ano pelo Prêmio Book Brasil, de O Segundo Caçador (EdUfes), romance policial vencedor do Prêmio UFES de Literatura e de Ascensão (Urutau), indicado ao Prêmio Jabuti 2025."

 

da morte sua

Autor: Bruno Crispim

Editora: Faria e Silva

Gênero: Romance contemporâneo

Preço: R$ 69,00

Pág: 209

 

Evento de lançamento

Quando: 03/07 – 19h

Travessa Icaraí

Rua Doutor Tavares de Macedo, 240, Icaraí. Rio de Janeiro

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