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Foi uma noite de festa brasileira país afora. Jogando sua segunda partida pelo Grupo C da Copa do Mundo, a Seleção Brasileira venceu o Haiti por 3 a 0 e devolveu um pouco de tranquilidade a uma torcida que ainda carregava a frustração do empate diante de Marrocos. O resultado, contudo, pode ser enganoso. A vitória arrefeceu a birra nacional, mas não resolveu os problemas que ficaram evidentes na estreia.
O placar elástico sugere superioridade absoluta, mas o futebol apresentado esteve longe de empolgar. Contra Marrocos, o Brasil jogou mal porque encontrou pela frente uma seleção africana atualmente mais organizada, intensa e competitiva. Contra o Haiti, venceu porque a diferença técnica era grande demais para permitir outro desfecho. Entre uma partida e outra, porém, não houve evolução significativa.
Ao menos algumas definições parecem ter surgido. As laterais foram consolidadas. Danilo e Douglas Santos aproveitaram a oportunidade e dificilmente deixarão a equipe titular. No meio-campo, Lucas Paquetá e Bruno Guimarães finalmente encontraram estabilidade e passaram a formar uma dupla que oferece maior equilíbrio à equipe. No ataque, Matheus Cunha aproveitou a chance, marcou duas vezes e provavelmente conquistou de forma definitiva a vaga de centroavante.
O protagonismo da equipe fica por conta de Vinícius Júnior. O atacante finalmente começa a repetir na Seleção o futebol que o consagrou no Real Madrid, marcando gols nas duas partidas da Copa e se tornando a principal arma ofensiva brasileira. Nesse cenário, a presença de Neymar poderia elevar o nível do ataque. Nenhum dos atuais meio-campistas possui a mesma capacidade de criação do camisa 10, que teria qualidade suficiente para encontrar Vinícius em velocidade e deixá-lo com muito mais frequência em condições de finalizar livre diante do gol.
O Brasil resolveu a partida ainda no primeiro tempo. Foram três gols, além de um de Raphinha anulado. A equipe entrou em campo com intensidade suficiente para explorar as fragilidades haitianas e construir rapidamente a vantagem. No segundo tempo, Endrick também balançou as redes, mas teve o gol invalidado. A partir daí, o que se viu foi um cenário preocupante.
Precisando ampliar o saldo de gols, fator que pode ser decisivo na classificação, a Seleção simplesmente parou de jogar. O Haiti passou a construir jogadas, chegou à área brasileira com frequência e criou oportunidades que não deveria ter criado contra um adversário de maior tradição e qualidade. O Brasil não apenas deixou de marcar como permitiu que um rival tecnicamente inferior ganhasse confiança.
Essa queda de rendimento revelou fragilidades que permanecem ocultas quando o placar é favorável. Faltou ambição para transformar a vitória em goleada e faltou personalidade para manter a pressão durante os noventa minutos. Em uma Copa do Mundo, onde os detalhes decidem classificações e eliminam favoritos, a diferença entre vencer e convencer pode ser enorme.
Agora, a situação do grupo exige atenção. O Brasil precisará derrotar a Escócia e ainda acompanhar o desempenho de Marrocos contra o Haiti. Dependendo dos critérios de desempate, os gols desperdiçados nesta rodada podem fazer falta mais adiante.
Também é impossível ignorar o peso das lesões. Militão, Rodrygo, Estevão e Wesley seriam peças importantes para ampliar as opções do treinador. Cada um deles ofereceria alternativas valiosas em setores que hoje carecem de profundidade. Em uma competição longa, onde o desgaste físico se acumula e os adversários crescem de nível, essas ausências podem custar caro.


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