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Os números têm memória. Alguns resultados atravessam o tempo e deixam de ser apenas placares para se tornarem símbolos. O 7x1 é um deles. Desde aquela tarde cinzenta de julho de 2014, qualquer combinação desses números desperta lembranças dolorosas no torcedor brasileiro.
Neste domingo de Copa do Mundo de 2026, o fantasma reapareceu. Mais cedo, a Alemanha aplicou 7 a 1 em Curaçao, enquanto, na madrugada brasileira, a Suécia goleava a Tunísia por 5 a 1. Duas demonstrações de força europeia em um Mundial que já começa a desenhar seus favoritos.
Mas há 7x1 e há 7x1.
O de Belo Horizonte foi uma tragédia esportiva. A maior seleção da história, jogando em casa, diante de sua torcida, viu ruir um sonho nacional em noventa minutos que pareciam eternos. O gol de Oscar, nos instantes finais, não serviu para mudar a história; foi apenas um discreto pedido de encerramento do sofrimento coletivo.
O de agora tem outra leitura. Curaçao, seleção modesta e estreante em grandes palcos, teve o mérito de empatar a partida e marcar contra uma Alemanha que chega ao torneio cercada por dúvidas. Os alemães venceram por larga margem, mas ainda carregam a desconfiança deixada pelas campanhas irregulares dos últimos anos. O placar impressiona, mas não produz o mesmo impacto simbólico daquele desastre brasileiro.
Enquanto isso, em outro canto do Mundial, Holanda e Japão protagonizaram talvez o melhor espetáculo destes primeiros dias de competição. O empate por 2 a 2 foi intenso, técnico e veloz, mostrando como o futebol se espalhou pelo planeta. Já não existem fronteiras rígidas entre centros e periferias da bola.
A globalização do futebol é uma das marcas deste século. O Japão joga em velocidade europeia, a Holanda incorpora influências de diferentes escolas, seleções africanas e asiáticas competem de igual para igual, e até pequenos territórios insulares conseguem revelar talentos para os grandes campeonatos do mundo.
As camisas continuam pesando, mas pesam menos do que antes.
Talvez essa seja a principal lição dos primeiros dias desta Copa. Os gigantes ainda existem, mas já não caminham sozinhos. O futebol tornou-se mais democrático, mais imprevisível e, por isso mesmo, mais fascinante.
E, de vez em quando, o destino ainda nos lembra de certos números. O 7x1 apareceu novamente. Só que desta vez a ferida não era nossa.


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