Filme sobre as enchentes no Rio Grande do Sul foi escolhido pelo público como melhor documentário do festival e recebeu uma menção especial do júri
O documentário Rua do Pescador, nº 6, dirigido por Bárbara Paz, foi eleito pelo público como Melhor Documentário, pelo voto popular, na 29ª edição do Cine Ambient, um dos mais importantes festivais de cinema ambiental do mundo, realizado em Turim, na Itália. Além disso, o longa também recebeu uma menção especial do júri. A cerimônia de premiação aconteceu no histórico National Museum of Cinema em Torino, com a presença da diretora Bárbara Paz, consolidando mais um importante reconhecimento internacional para a obra brasileira.
Ao anunciar os prêmios, o júri destacou a força humana retratada pelo documentário, ressaltando as histórias pessoais de sobrevivência e a forma sensível com que a diretora transforma uma tragédia coletiva em um relato profundamente humano. A comissão afirmou:
"As histórias pessoais na luta pela sobrevivência de uma comunidade resiliente atravessam-se pela intensidade com que a autora nos relata uma tragédia de sua terra. A simplicidade das imagens imersivas devolve dignidade e beleza aos deslocados, exaltando o fator humano no momento mais dramático".
Bárbara Paz comemorou as premiações, que dedicou ao Rio Grande do Sul e às comunidades afetadas pelas enchentes de 2024, afirmando que realizou o documentário como um registro para que a tragédia nunca seja esquecida e jamais se repita. “O cinema é memória e registro. Todos nós precisamos acordar para o que está acontecendo. A Terra está gritando. Receber esse prêmio em um festival como o CinemAmbiente é um incentivo para continuar falando sobre o planeta e sobre a urgência da crise climática”, afirmou a cineasta.
Filmado na Ilha da Pintada, em Porto Alegre, o longa acompanha as consequências das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024, registrando o impacto da maior catástrofe climática da história do estado a partir do cotidiano de moradores que lutam para reconstruir suas casas, suas memórias e seu sentimento de pertencimento. Gravado logo após as águas baixarem, o documentário encontrou uma comunidade marcada pela perda, mas também pela resistência e pela solidariedade.
As conquistas no Cine Ambient ampliam a trajetória internacional de destaque do filme. Desde sua estreia mundial na Mostra Competitiva de Documentários Brasileiros do É Tudo Verdade, Rua do Pescador, nº 6 vem acumulando reconhecimentos em importantes festivais. Em 2025, Bárbara Paz recebeu o prêmio de Melhor Direção de Documentário no Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF). No Festival de Gramado, o longa conquistou os Kikitos de Melhor Trilha Musical, assinada por Renato Borghetti, e Melhor Desenho de Som, de Rodrigo Ferrante e André Tadeu. A obra também recebeu o prêmio de Melhor Longa-Metragem Ambiental no Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito (Cinesur).
“Rua do Pescador, nº6” é uma produção da BP Filmes, em coprodução com Morena Filmes, Canal Brasil e GloboNews, com distribuição da Lança Filmes.
Sinopse:
Ficha técnica:
Direção: Bárbara Paz
Direção de Fotografia: Bruno Polidoro
Montagem: Renato Vallone
Edição de Som e Mixagem: Rodrigo Ferrante e André Tadeu
Pesquisa: António Venâncio
Produtora: Bárbara Paz
Produtora Executiva: Daniela Mazzilli
Produtor Associado: Tiago Rezende
Produção: BP FILMES
Coprodução: MORENA FILMES, GLOBONEWS e CANAL BRASIL
Prêmios e Festivais:
Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito (Cinesur) - Prêmio de Melhor Longa-Metragem Ambiental (Prêmio do Júri Oficial)
“Ao invés de chegar à ilha repleta de lições a transmitir, a diretora procura, em primeiro lugar, apreender e compreender. Residem aí uma humildade e um humanismo fundamentais.” (Bruno Carmelo para Meioamargo)
“A importância do filme reside no fato de trabalhar como registro, memória e denúncia.” (Carmela Fialho para Cine Fialho)
“nossos olhos e nossa sensibilidade se aguçam de maneira diferente quando expostos a um componente audiovisual atualmente em extinção: arte.” (Celso Sabadin para Planeta Tela)
"imune a narradores oniscientes ou contextualizações pedagógicas, a ideia era recortar a rigidez dos acontecimentos a partir da privacidade e experiências desses sobreviventes." (Davi Galantier Krasilchik para Folha de São Paulo)
“é a certeza de que Bárbara abraça um cinema de prospecção, de fé, de resistência.”
“reafirma o papel do cinema como registro histórico através do ponto de vista humano, sem uma vírgula de sensacionalismo ou oportunismo frente ao difícil trabalho de filmar e pensar uma tragédia conforme ela se materializa” (Matheus Pannebecker para Cinema e Argumento)
Sobre a Diretora:
Bárbara Paz é uma diretora, artista visual, atriz e produtora brasileira. No cinema, ela dirigiu “Babenco - Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou (2019), que estreou no Festival Internacional de Cinema de Veneza e ganhou o prêmio de Melhor Documentário na categoria Venice Classics 2019, entre muitos outros festivais internacionais. O filme também foi a escolha oficial do Brasil para representar o país na categoria de Melhor Filme Internacional no 93º Oscar. Em 2021 dirigiu o curta-metragem “Ato” – que ganhou o prêmio Grande Otelo de Melhor Curta-Metragem de Ficção no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Como atriz, fez mais de 25 peças teatrais, estrelando produções que vão desde Oscar Wilde a Tennessee Williams. Protagonizou inúmeros filmes incluindo “Meu Amigo Hindu", último filme de Hector Babenco, ao lado de Willem Dafoe.


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