Mesmo com expectativa de queda dos juros, crédito deve continuar caro e exige atenção com capital de giro, prazos, dívidas e investimentos
A projeção do mercado para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,25% ao ano pela segunda semana seguida, segundo o Boletim Focus. Há um mês, a estimativa era de 13%. O dado indica que o mercado ainda espera queda dos juros ao longo do ano, mas em ritmo limitado para aliviar rapidamente o custo do crédito.
O Banco Central já reduziu a taxa básica nas duas primeiras reuniões de 2026, levando a Selic a 14,50% ao ano. Ainda assim, para micro e pequenos negócios, o crédito segue caro no curto prazo, especialmente para quem depende de capital de giro, precisa renegociar dívidas ou avalia novos investimentos.
Segundo a Confederação Nacional de Jovens Empresários (CONAJE), o cenário exige cautela no dia a dia do pequeno negócio. Mesmo com expectativa de redução gradual da Selic, o custo do crédito ainda limita investimentos, reduz a margem de manobra e aumenta a necessidade de planejamento financeiro.
“Muitos acabam recorrendo a recursos próprios ou a linhas alternativas, o que pressiona ainda mais o dia a dia do negócio”, afirma Fábio Saraiva, advogado e presidente da CONAJE.
Na avaliação do presidente da CONAJE, cinco ajustes ajudam a reduzir o impacto dos juros no dia a dia:
1) Reforce a gestão financeira. Controle rigoroso de custos, planejamento de fluxo de caixa e separação entre contas pessoais e empresariais são pontos básicos, mas decisivos. Investir em capacitação de gestão e finanças também é essencial para melhorar os resultados.
2) Negocie prazos e busque parcerias. Ajustar condições com fornecedores e clientes pode dar fôlego imediato ao caixa.
3) Invista em digitalização. Ferramentas simples ajudam a reduzir gastos operacionais e ampliar eficiência.
4) Explore crédito alternativo. Cooperativas, fintechs e agências de fomento regionais oferecem condições que podem ser mais vantajosas que os bancos tradicionais. Compare sempre taxas, prazos e exigências.
5) Evite armadilhas. Não assuma dívidas sem planejamento, não use financiamento longo para despesas curtas e nunca misture finanças pessoais com as da empresa.
Saraiva lembra que o cenário pode ser aproveitado por quem conseguir se organizar. “O crédito não vai ficar mais barato no curto prazo, então os empreendedores precisarão seguir com eficiência e inovação. Quem se organizar agora terá mais condições de atravessar esse momento e sair mais competitivo quando os juros começarem a ceder de forma mais consistente”.



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