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*Por David Braga
O Brasil voltou a aparecer entre os últimos colocados do Ranking Mundial de Competitividade do IMD. Ficou na 65ª posição entre 70 economias avaliadas. Mais do que um número, o resultado escancara uma realidade conhecida: continuamos desperdiçando vantagens que poucos países possuem. O contraste é evidente. Somos uma das maiores economias do mundo, temos uma matriz energética limpa, um agronegócio altamente competitivo, abundância de recursos naturais e uma população empreendedora. Ainda assim, perdemos espaço porque falhamos justamente nos fatores que sustentam o crescimento de longo prazo.
O próprio estudo aponta onde estão os maiores gargalos. O Brasil ocupa posições muito baixas em eficiência governamental, ambiente de negócios, produtividade, qualificação de talentos e infraestrutura. São problemas antigos, amplamente diagnosticados, mas que seguem sem respostas capazes de alterar o cenário. Competitividade não é um conceito restrito à economia. Ela determina a capacidade de um país gerar empregos, atrair investimentos, estimular inovação e oferecer oportunidades para sua população. Quando uma empresa desiste de investir por causa da insegurança jurídica ou da burocracia, quem perde não é apenas o empresário, mas toda a sociedade.
Enquanto países que lideram o ranking transformaram educação, inovação e eficiência institucional em prioridades permanentes, o Brasil ainda trata esses temas de forma fragmentada e sujeita aos ciclos políticos. O resultado aparece nos indicadores e, principalmente, na dificuldade de converter potencial em desenvolvimento. Isso não significa que o país esteja condenado ao atraso. Ao contrário. Poucas nações reúnem tantos ativos para crescer. Mas potencial, por si só, não produz prosperidade. É preciso criar um ambiente que incentive produtividade, simplifique regras, forme talentos e estimule empresas a inovar.
Nesse cenário, o setor privado também tem responsabilidade. Investir em tecnologia, desenvolver pessoas e ampliar a produtividade deixou de ser uma escolha estratégica para se tornar condição de sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo. O Brasil não precisa descobrir novas vocações. Precisa, antes de tudo, parar de desperdiçar as que já possui. O 65º lugar no ranking do IMD não representa falta de capacidade, mas a distância entre o país que somos e o país que insistimos em adiar.
David Braga – CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent Executive Search, empresa de busca e seleção de executivos, presente em 30 países e 50 escritórios pela Agilium Group. Presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-MG); É conselheiro de Administração e professor pela Fundação Dom Cabral e Presidente do Conselho de Administração da ONG ChildFund Brasil. Instagrams: @davidbraga | www.davidbraga.com.br


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