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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Fotografia de pesquisador do Instituto Butantan retorna à Royal Society entre as melhores imagens científicas da última década

Imagem premiada em 2017 volta à Summer Science Exhibition e destaca a importância da pesquisa, biodiversidade e divulgação científica



Uma fotografia registrada pelo pesquisador e diretor do Laboratório de Biologia Estrutural do Instituto Butantan, Carlos Jared, foi selecionada para integrar a Summer Science Exhibition 2026 da Royal Society, uma das mais tradicionais instituições científicas do mundo. A imagem, intitulada The rainy season, the green tree frog and the maintenance of life, será exibida em 3 de julho como uma das melhores fotografias científicas apresentadas pela sociedade científica nos últimos dez anos.


Premiada originalmente pela Royal Society em 2017 com menção honrosa na categoria Ecologia e Ciência Ambiental, a fotografia retrata o acasalamento de pererecas-verdes (Phyllomedusa nordestina, atualmente classificadas como Pithecopus gonzagai) e foi selecionada para retornar à exposição em uma mostra comemorativa que celebra o poder da fotografia científica em revelar fenômenos naturais e aproximar a ciência do grande público.

 

A edição de 2026 reúne algumas das fotografias científicas mais marcantes premiadas pela Royal Society na última década, destacando imagens que conseguiram traduzir descobertas científicas em narrativas visuais capazes de aproximar a pesquisa da sociedade.


“Muito além da beleza estética, a fotografia registra décadas de pesquisa sobre a biodiversidade brasileira”, conta o pesquisador. O registro foi feito durante uma expedição realizada em Angicos, no Rio Grande do Norte, na Caatinga, bioma onde Jared estuda, há mais de 40 anos, as adaptações de anfíbios capazes de sobreviver em um dos ambientes mais secos do país.


A imagem mostra um casal de pererecas-verdes em amplexo - o abraço reprodutivo característico dos anfíbios. O momento ocorre logo após as primeiras chuvas, quando animais que passaram meses ou até anos escondidos em ambientes úmidos saem para garantir a reprodução da espécie.


Segundo o pesquisador, o título da obra faz referência justamente a esse fenômeno. “Quando chegam as chuvas, a prioridade desses animais não é se alimentar, e sim reproduzir. É a manutenção da vida”, destaca Jared.


Registrar esse comportamento exigiu anos de trabalho de campo e de observação da fauna. “Se chegássemos alguns minutos antes ou depois, provavelmente perderíamos a cena. É isso que torna esse tipo de fotografia tão especial: ela registra um instante muito específico da história natural dessa espécie”, finaliza.


Paixão pela fotografia



Com mais de 50 anos de trabalho no Instituto Butantan, Carlos Jared reúne um extenso acervo com mais de 46 mil fotos produzidas durante suas pesquisas em diferentes biomas brasileiros desde a década de 1970, além de um vasto arquivo em preto e branco. Suas imagens ilustraram capas de revistas científicas internacionais, livros e reportagens, consolidando sua trajetória na união entre ciência e fotografia.


Para Jared, a fotografia é uma poderosa ferramenta de divulgação científica. "O objetivo nunca foi produzir apenas uma fotografia bonita. Nós estávamos estudando o comportamento e as adaptações desses animais. A fotografia nasceu da ciência", destaca.


Segundo o pesquisador, imagens como essa despertam a curiosidade do público e ajudam a aproximar as pessoas da pesquisa científica. "Quando alguém olha para essa fotografia, primeiro vê a beleza. Depois quer entender o que está acontecendo. É aí que começa a divulgação científica."


O pesquisador diz que a ciência e arte caminham juntas. "A arte ajuda a comunicar a ciência. E a ciência oferece histórias extraordinárias para a arte registrar."


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