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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Fragmentação da direita preserva liderança de Lula e abre espaço para alternativa presidencial, avalia cientista político

Ricardo Stuckert/PR


A nova pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, revela um cenário presidencial aparentemente estável, mas que começa a apresentar movimentos importantes abaixo da superfície. Lula mantém a liderança, com 40% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 34%. Os demais candidatos, somados, concentram aproximadamente 18% do eleitorado.


Para o cientista político Elias Tavares, os números não indicam necessariamente um crescimento eleitoral de Lula, que oscilou dentro da margem de erro em relação à rodada anterior, mas demonstram a consolidação de sua centralidade na disputa presidencial.


“Lula não está crescendo numericamente nesta pesquisa, mas continua sendo o candidato em torno do qual a eleição se organiza. Ele mantém a liderança enquanto a direita ainda enfrenta dificuldades para concentrar suas forças em torno de Flávio Bolsonaro”, analisa.


Segundo Tavares, o principal sinal apresentado pelo levantamento está na soma dos candidatos que aparecem fora dos dois polos principais. Ronaldo Caiado registra 5%, Renan Santos e Romeu Zema aparecem com 4% cada, enquanto outros nomes completam um contingente próximo de 18% das intenções de voto.


“Não significa que uma terceira via já esteja constituída. Esses votos ainda estão espalhados entre candidaturas diferentes, com projetos e estruturas partidárias distintas. Mas existe um espaço eleitoral considerável fora da polarização principal. São quase dois em cada dez eleitores com candidato que, neste momento, não escolheram Lula nem Flávio Bolsonaro”, afirma.


Na avaliação do cientista político, esse eleitorado poderá seguir dois caminhos. Uma parte poderá migrar para Lula ou Flávio Bolsonaro à medida que a campanha se polarizar e o voto útil ganhar força. Outra parte poderá ser reunida por uma candidatura de centro ou de centro-direita que consiga apresentar competitividade, estrutura partidária e capacidade de diálogo com diferentes setores políticos.


“O que a pesquisa começa a captar é um movimento ainda sutil de desconcentração dentro da direita. Flávio Bolsonaro preserva um eleitorado expressivo e aparece com 34%, mas ainda não conseguiu transformar a força do bolsonarismo em unidade partidária de toda a oposição”, diz Tavares.


Esse cenário é reforçado pelas movimentações das principais legendas de centro e de direita. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que o partido não fechou acordo com Flávio Bolsonaro e indicou uma tendência de neutralidade na eleição presidencial, embora tenha descartado apoio ao PT.


Paralelamente, a federação formada por PP e União Brasil também caminha para não se vincular formalmente à candidatura de Flávio. Caso essas posições sejam confirmadas, três dos maiores partidos do campo de centro-direita poderão priorizar seus projetos estaduais e suas bancadas no Congresso, sem entrar integralmente na campanha presidencial de nenhum dos dois principais candidatos.


“Esses partidos possuem governadores, prefeitos, candidatos ao Senado, grandes bancadas e estruturas eleitorais espalhadas pelo país. A neutralidade não significa ausência da eleição. Significa que cada diretório poderá construir suas alianças estaduais e que os dois candidatos à Presidência terão de disputar esses apoios regionalmente”, explica.


Para Tavares, essa postura tende a beneficiar inicialmente Lula, porque dificulta a formação de uma frente nacional unificada contra o atual presidente. Entretanto, também pode abrir espaço para o crescimento de uma candidatura alternativa, principalmente se Flávio Bolsonaro enfrentar dificuldades para reduzir sua rejeição e ampliar seu eleitorado para além da base bolsonarista.


“A fragmentação da direita fortalece Lula no curto prazo, porque o presidente enfrenta uma oposição dividida. Mas ela também mantém aberta a possibilidade de surgimento de uma alternativa competitiva. O ponto decisivo será saber se algum dos candidatos que hoje aparecem entre 4% e 5% conseguirá reunir partidos, recursos, palanques estaduais e apoio político suficiente para deixar de ser uma candidatura complementar e passar a representar uma ameaça aos dois primeiros colocados”, afirma.


A proximidade das convenções partidárias torna as próximas semanas determinantes. A partir de 20 de julho, partidos e federações poderão oficializar candidaturas e definir coligações para as disputas majoritárias. O registro das candidaturas deverá ocorrer até 15 de agosto, e a propaganda eleitoral começa em 16 de agosto.


“Estamos entrando no período em que as pesquisas deixam de medir apenas nomes e começam a medir candidaturas reais, com alianças, tempo político, palanques e estrutura de campanha. Lula chega a essa etapa na liderança. Flávio Bolsonaro chega como principal adversário, mas sem ter reunido toda a direita. E os demais candidatos chegam diante de uma janela curta para provar que existe espaço para algo além da polarização”, conclui Elias Tavares.

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